sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Eu Quero Um Shrek



Depois que a princesa beijou o sapo e ele virou um príncipe, veio por terra a máxima de que a mulher foi a responsável pela queda do homem e, consequentemente, pela perda do paraíso, segundo as Sagradas Escrituras. Eva pode ter tido pouco juízo, mas através do conto de fadas, ficou comprovado que não é a mulher que torna o homem infeliz. Coisa nenhuma! Estou cansada de carregar esta culpa por toda a humanidade. Adão bem que sabia que o fruto era proibido, comeu porque quis! O toque feminino da princesa transformou o asqueroso batráquio em um galã de primeira grandeza! Por isso eu adoro aquele ditado: "Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher."

A partir desse conto de fadas, os estúdios Disney reinventaram  recentemente, o enredo desta história, fazendo no desenho "A princesa e o sapo", a bela moça se metamorfosear em sapa (ou seria em perereca? - ah, essa nossa língua portuguesa e seus gêneros...). Perdeu a graça! E o poder feminino, para onde foi? Coisa chata essa disneymania de tornar sonsas as mais belas princesas! Já viram a Cinderela? Mas onde já se viu uma criatura tão linda, herdeira oficial do rei, aceitar com total subserviência os desmandos daquela madrasta nojenta e suas filhas invejosas? Só mesmo Walt Disney, pois na versão original dos irmãos Grimm, a megera é obrigada a calçar sapatos de ferro em brasas, por ter sido tão má com a Gata Borralheira.  Por isso, Wilhelm e Jacob fazem parte do meu universo literário. Eles pegavam o 'espírito da coisa', e isso no século 19!

Mas a redenção do imaginário infantil veio com a Dream Works, que criou Shrek. O anti-herói mais cabra macho de todos os contos da carochinha! Aquilo sim, é um homem de verdade. Ele atua em sua história, ele  é o centro da trama... Shrek representa os homens da vida real, ao menos, alguns deles. Shrek sofre de eructações e flatulência, tem bafo de bode, a beleza de um orangotango e a sutileza de um rinoceronte. Apesar de todos esses adjetivos, no final ainda salva a princesa do dragão da maldade e casa com ela. Shrek desmoralizou os príncipes-plantas, aqueles figurantes que só aparecem no início e no final da história para selar o 'felizes para sempre' com um beijo de amor!

Shrek não beija a Fiona-Adormecida, ele a carrega nas costas, demonstrando o contorno de seu corpitchio à la barriguinha de chope. E não dá a mínima para os chiliques da madame! Fiona foi, nesta história, a princesa que virou sapa... Mas bem diferente daquela pequena rainha disneyliana. Fiona amou Shrek do jeitinho que ele era. E o príncipe? Ah, o príncipe... Bem, o engomadinho ganhou tons de arco-íris, além de se assumir metrossexual e com sérios desvios de conduta. Um psicopata moderno. Aliás, um Narciso redivivo. Tadinho, ficou só, sem palácio, cavalo branco e nenhuma bela princesa.

É por essas e outras que eu prefiro amar o meu Shrek: homem valente, ético, viril... Não é príncipe, mas também não é sapo. É o homem na medida exata. Com o tempo, a mulher vai descobrindo que todo príncipe é meio chato, meio assim... Narciso se olhando e se afogando no rio, que era o seu espelho! Homens que "se acham", mas não se garantem. E tenho dito!

Por Christiane B.