segunda-feira, 18 de abril de 2016

O impeachment e o diabo

Eu estou realmente sem condições psicológicas de escrever alguma coisa sobre o circo de horrores que nos foi apresentado ontem durante o processo de impeachment da presidente Dilma no congresso nacional.  Temo não estar diante da minha completa sanidade mental, pois às vezes tenho a sensação de que irei despertar de um pesadelo. E, diante deste quadro de confusão psíquica-emocional, não posso me dar ao direito de sair escrevendo asneiras, pois essas eu já as ouvi o suficiente dos congressistas brasileiros em uma noite triste de domingo, deste mês de abril. 

Poderia descrever esse momento através de um texto enorme, se tivesse condições para isso. Ou somente representá-lo através de uma imagem. Só que nada me vem à mente. É só um aperto no peito, uma dor misturada com medo, pavor, indignação, perplexidade. O choro está sufocado, embora eu saiba que uma hora ele vai sair e vai sair com força. Como dizia minha mãe quando eu era criança- engole, não chora! 

Estou assim, engolida por um gigante! Por um monstro vindo dos nossos piores pesadelos. Estou susceptível  a somatizar essa angústia no meu corpo. Sangrando por dentro, torturada como todas as mulheres maltratadas por homens feito Bolsonaro, o vampiro-mor da casa do povo. Um desprezível ser desumano capaz de homenagear um torturador... Depois disso tudo ainda há condições de dar algum parecer sobre o que houve ontem, dia 17 de abril de 2016? Não. Não mesmo. É o fim.