terça-feira, 29 de março de 2016

Saudade , Saudade , Saudade . . .

Porque um dia Deus chega e leva da gente aqueles que amamos é que devemos ser gratos pelo tempo que tivemos para amá-los. Porque hoje na minha vida só tem espaço para a dor, eu escrevo...

Aquela saudade doída, doida, dilacerante, psicodélica, exotérica e anormal vai tomando conta do peito da gente e sufocando, sufocando até faltar o ar... essa saudade que me faz chorar e chorar e chorar porque eu sei que nunca mais vou te ver, te abraçar, pegar nas suas mãos para ajudá-lo a caminhar... Saudade dos cabelos brancos e dos olhos azuis, da fala mansa e das tiradas certeiras que me faziam rir.

Dos 'causos' tantas vezes repetidos que marcaram minha infância e acompanham minha vida, até o dia em que eu irei te encontrar novamente e te encher de beijos, deitar no seu colo e te chamar de pai. Porque hoje meu coração é só tristeza e viver sem você está muito difícil, eu quero deixar aqui registrado que eu não sabia do tamanho do meu amor por você, seu Antônio. 

Hoje faz um mês... Nossa selfie de outubro de 2015...

sábado, 19 de março de 2016

A Cadeira Vazia



Era janeiro. Chovia. O carro de boi lançou-se na estrada de terra levando sua mãe. Ela carregava o caçula, com um mês de idade, e a menina... Disse a eles que iria batizar o pequeno. Nunca mais voltou. Este cenário foi no ano de 1926, na cidade de Medeiros. Meu avô sempre repetia esta história triste, de quando a sua mãe separou-se do seu pai e foi viver com outro homem, deixando para trás os outros sete filhos. Nesta época meu avô tinha sete anos. E, pela forma como ele contava isso, a riqueza de detalhes que ele imprimia no seu drama pessoal, eu posso imaginar a dimensão do trauma que ficou naquela criança e nas outras também.

Os filhos cresceram na companhia do pai, um homem de gênio bom, conforme contam as pessoas que o conheceram. O meu bisavô chamava-se Honório e foi um dos fundadores do povoado de Medeiros, no início do século vinte. Ele nasceu em 1868. Pelo o que meu avô dizia, calcula-se que faleceu em 1961, aos 93 anos, calmo e sereno.

Passado algum tempo, minha bisavó, dona Brígida, tentou se reconciliar com o ex-marido, mas não teve jeito. O rompimento foi definitivo e o caçula ficou com os outros irmãos. A menina, cujo nome prefiro resguardar, não foi reconhecida como filha por Honório, que desconfiava ser a garotinha filha do outro. Mas, segundo os comentários daquela época e os de pessoas contemporâneas, os traços físicos não negam a paternidade de Honório. Acho que esta foi a única mágoa que ele levou consigo... Porque em relação à minha bisavó, ele a perdoou. 

Era janeiro. 2016. Dias quentes e abafados. No dia 26 - aniversário da minha mãe -  ele deitou-se em sua cama e disse que “precisava morrer, que todos já tinham morrido – seu pai, sua mãe, sua mulher, seus irmãos – todos. O que ele estava fazendo aqui ainda? E, além de tudo, estava dando muito trabalho. Pediu para que eu e minha irmã tomássemos conta da nossa mãe, porque ele faria muita falta pra ela.” Foi o prenúncio de sua morte. Depois deste dia, meu avô Antônio, aos noventa e sete anos, decidiu que era hora de partir. Não em um carro de boi embalado nos braços de sua mãe, mas naquele quarto que ocupava desde quando sua amada companheira se fora, na casa de seu único filho homem e de sua nora, o lugar que ele escolhera passar seus últimos três anos. Um mês e três dias depois de anunciar seu desejo, foi levado para o plano celestial, onde eu acredito que tenha realizado seu sonho: o de se encontrar com seus irmãos, com seus pais, com sua amada esposa.

 Ah... A cadeira. Desde dezembro de 2012, mês do falecimento da minha avó Izolina, meu avô passou a morar com os meus pais. Na garagem da casa, ele ficava sentado olhando as pessoas passarem na rua. Todos se acostumaram a ver aquele velhinho ali, diariamente, sentado com sua bengala ao lado. De vez em quando ia ao passeio jogar canjiquinha para as rolinhas. Depois, arrastando suas pernas frágeis, voltava para sua cadeira cativa. Ele fazia parte da paisagem da rua. Agora, é só uma doce lembrança... E a cadeira, vazia.  

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo

Avô amado, sem palavras para mensurar a saudade que sentirei do senhor.

Que dor, que dor, que dor...Me calando fundo na alma...

Meu querido, meu velho, meu amigo...


Antônio José Teotônio

* 12 de dezembro de 1918
* 29 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Fevereiro - Jessica Lange


Atriz consagrada de Hollywood, Jessica Lange ficou imortalizada como protagonista de King Kong, de 1976. Participou também, de forma brilhante, da série American Horror Story. Lenda!

domingo, 31 de janeiro de 2016

Mais um Janeiro . . .


Fim de Janeiro. Um mês que traz uma bagagem enorme de histórias. Viagens, passeios, preguiça, minissérie fantástica, BBB 16 (sim, dezesseis edições de um programa que a maioria dos brasileiros detesta, mas que desde 2002 fica três meses no ar, queiram ou não queiram... por quê? Porque dá muito lucro e porque há pessoas que consomem o 'produto') e escândalos na política - cada vez mais... Muitas, muitas histórias sem fim.

Estive passeando pelo litoral norte da Bahia, um lugar lindo e meio selvagem. A gente até se esquece que vive nessa correria de cidade grande. Talvez a suprema felicidade esteja em habitar lugares calmos, simples e, de preferência, à beira mar. 

De volta à realidade, o que tivemos em janeiro? Chuva, muita chuva aqui em Minas, boa pra lavar a sujeira, limpar a poeira, umedecer o ar. Tivemos o resultado do ENEM, que me mostrou ser capaz de competir com a garotada: tirei 900 pontos na redação, porém, burra feito uma porta em matemática, não obtive os pontos necessários para o curso que estava pleiteando. Outros eu não queria. Meu filho caçula passou em quarto lugar para Publicidade e Propaganda na UFMG. Não, ele não é cotista. E eu não sou contra as cotas. Muita alegria na família :) Continuamos a ter o espetacular programa de televisão chamado operação Lava-Jato, com suas delações premiadas, um único partido político no meio das investigações, uma oposição fraudulenta e nojenta, Lula voltando à cena. 

Sim, deixaram Dilma um pouco de lado. O foco é Lula. O medo do Lula voltar em 2018 é assustador e pra isso vamos de operação Triplo X, tríplex, sítio, iate... Vamos limar esse cara, vamos acabar com ele, com a sua reputação, com tudo o que ele fez pelos menos favorecidos do país. Enquanto isso, o lobo bobo Eduardo Cunha está aí, rindo da nossa cara porque tem a certeza de que nada vai lhe acontecer. Mesmo com o governo suíço ter entregue todas as provas de contas ilícitas do poderoso chefão. 

Eu vivo em um país no qual antes de Lula e Dilma não havia diferença social nem crise econômica. Um país onde todos podiam, igualmente, frequentar universidades públicas, no qual nenhum povo passava fome, todos tinham trabalho e por isso não precisavam de bolsa-família. A taxa de desemprego era de 0%. Um verdadeiro conto de fadas. Hoje eu vivo em um país no qual a filha da minha secretária estuda em escola particular e sua família vai de avião passar férias em Porto Seguro. Isso é uma afronta. Um país que fez as notas dos cotistas ultrapassarem as notas dos não-cotistas "brancos".  

Dia desses eu estava lendo no facebook o comentário de uma pessoa que é contrária às cotas. Aí eu vi a foto dela e de alguns parentes. Eu ri. Ri muito por dentro. Sabe, nós somos um povo miscigenado. Com exceção do sul brasileiro, onde a maioria dos habitantes são brancos, de Minas pra cima é tudo misturadinho. E essa comentarista estava furiosa com os negros americanos que irão boicotar o Oscar, por não haver representante disputando prêmios. A pergunta dela:"Agora tem que ter cotas também no Oscar?" Aí eu pensei: Falou a "branca caucasiana", de olhos azuis, provavelmente ascendente de alemães, rica, deve ter estudado a vida toda em escola particular e mora no mundo de Alice no País das Maravilhas.

Ai, ai, meu Deus do céu! Me dá paciência para lidar com tanta idiotice. Ah, não posso deixar de registrar o zum zum zum de alguns leitores esquerdistas-partidários: eles estão implicados porque a Lava-Jato não investiga os bens adquiridos por FHC. Eu nem sabia que ele tinha um apartamento em Paris. Pra mim isso era coisa de artista ladrão de carro, sem fama ou prestígio, sem obra polpuda e reconhecida. Esse tal de Chico é mesmo um azarão. Conseguiu comprar seu apezinho na Europa, tsc, tsc. Mas graças aos deuses, Chico não está só. FHC também tem um apezinho na capital da França.

É preciso rir da gente mesmo para dar conta do que vem por aí. Pela pequena mostra do que foi janeiro, imagina quando chegarmos em junho? Vamos querer dormir e acordar somente em 2019!

Bora pra frente que a vida não para! 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Além do Tempo - Último Capítulo

- Eu não quero mais sentir ódio... Eu estou cansada, o que é que eu faço? Será que uma terapia vai me ajudar a me sentir melhor? O que eu faço pra não ser quem eu sou, sentir isso que eu sinto, o que eu faço? Ô, mãe, por que aqueles dois têm tanta sorte e eu não tenho?

- Que tal você começar odiando menos e amando mais?! Porque o ódio volta pra pessoa... E o amor também!


Foi esse diálogo sublime entre Doroteia e sua filha que encerrou a participação da personagem Melissa em Além do Tempo. Adorei Melissa, todos os seus trejeitos, maneirismos, a sua paixão desmedida. Compreendi a dor que sentiu por ser rejeitada. Paolla nos brindou durante estes meses com um personagem forte e com a sua estonteante beleza. 

Falar de Além do Tempo daria um livro. E todos os finais de novelas que gosto, costumo fazer posts gigantescos, o que é muito cansativo para mim e para quem lê. Então, como estou podendo escrever somente hoje, devido às ferias, tentarei ser o mais enxuta possível.

A novela foi toda linda. Mas a primeira fase foi insuperável. Apesar da mudança de século, a trama continuou boa, cenários bacanas, atuações perfeitas. Mas algo se perdeu. Achei que Lívia não manteve o mesmo magnetismo; Felipe, um lorde, foi perfeito e retilíneo. Nada mudou, apenas sorriu mais. Emília foi aquela personagem enjoada em ambas as fases, piorou na segunda. Não gosto da atriz Ana Beatriz Nogueira. Ela tem uma expressão facial inflexível. Sempre mandona e amargurada. Foi coadjuvante para Irene Ravache e Alline Moraes. Desnecessária a participação do Juca de Oliveira.

Adorei a entrada de Berenice, que atriz linda! As cenas com Alex e Felipe eram muito emocionantes. Alguns atores ficaram avulsos, como o marido da Gema, a filha da Rosa, uma funcionária de nome Michele e até mesmo o José Matheus, neto de Irene e, na novela, filho biológico de Gema. Outros personagens ficaram à deriva, não tiveram um final amarrado. A Severa, desde a primeira fase, não teve sua história contada e depois, na reencarnação, também não se resolveu. A Rita também perdeu espaço, sem falar da Carola e do Roberto, que voltou lindo e bondoso!

O trio formado pelas crianças Felícia, Chico e Alex consagrou a amizade sincera da infância. Seu Raul pouco apareceu, assim como Bernardo teve sua participação reduzida. O prefeito Luis, vivido por Carlos Vereza nem mesmo apareceu no último capítulo. Sua esposa ciumenta não foi apresentada na novela. Infelizmente, a atriz Flora Diegues, que viveu a engraçadíssima Bianca sofreu um avc e teve de abandonar o elenco. Com sua saída, Pérsio também ficou sem sentido na história. Mássimo e Salomé formaram o melhor casal, sem sombra de dúvida (depois dos protagonistas, é claro)!

Anita renasceu mais bonita e mais boba. Mas encheu nossos olhos com sua beleza arrebatadora! Porém, Letícia Persiles será sempre a minha Capitu... E o que dizer do Afonso? Meus deuses, que cavalheiro, um príncipe! O núcleo formado por Nívea Maria e filhos foi muito bom. Também gostei da redenção do Bento e do final ao lado da Rosa. Achei mesmo muito bonito! Sobre os anjos? Estou esperando um Ariel aparecer na minha vida para dar aquelas dicas preciosas e dizer aquelas inspiradoras frases de efeito  Pedro foi Pedro nas duas fases. Nenhuma mudança - chato, pegajoso, tipo de homem desprezível. Fez o que todo vilão faz - vilanices para morrer no final. Feito!


Lívia e Felipe serão lembrados para sempre como o casal de protagonistas mais perfeitos dos últimos anos! Eles brilharam! Houve muita química entre os atores, além de serem lindos e competentes. Senti falta do tema deles na primeira fase, a música do Zé Ramalho - Sinônimos! Me causava arrepios as cenas em que eles estavam juntos e a música tocava. Aliás, achei fraca a trilha sonora. As poucas canções eram bonitas, mas quase não davam o ar da graça. Coldplay poderia ter sido melhor aproveitado, mas insistiram em Seguindo em Frente e Nós Dois - ambas belíssimas!

E, para fechar com chave de ouro, todos os aplausos para a diva Irene Ravache com sua Vitória Castelinni/ Vitória Ventura. Em nenhum momento ela deixou de ser a rainha soberana e absoluta desta trama incrível escrita por Elizabeth Jhin. Seja na primeira ou na segunda fase, Irene nos emocionou com sua atuação impecável, com todas as nuances possíveis carregadas em suas expressões faciais e corporais, no seu tom de voz, sua altivez, uma mulher com uma postura elegante e uma capacidade como poucas na TV brasileira.


                            Além do Tempo será um marco. Inesquecível. Já sinto saudades!


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

David Bowie

RIP David Bowie... I'm thankful for your existence and your art! We'll miss you...

One of his most beautiful songs:

*  8 de janeiro de 1947
* 10 de janeiro de 2016

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

krysten Ritter e Wagner Moura

Lindos, talentosos, maravilhosos, protagonistas de duas ótimas séries: Jessica Jones e Narcos! Achei lindo este selfie tirado em um evento da Netflix hoje, em Las Vegas! Aplausos!


Depois vou fazer um post falando das minhas séries favoritas. São tantas! 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Cynara Menezes me representa


A jornalista Cynara Menezes é blogueira e tem uma página no Facebook chamada Socialista Morena. Curto muito tudo o que ela escreve, embora eu seja capitalista. Cynara é daquelas que consegue escrever com clareza as obscuridades da política, é quase uma professora com maestria em didática. 

Hoje ela escreveu um post que me soou bastante familiar. Aquele velho discurso da direita fascista, blablablá queremos todos presos e punidos, blablablá a corja do PT está acabando com o país (enquanto isso não há um tucano preso sequer na operação Lava Jato apesar das inúmeras 'delações premiadas'). 

Não sou ativista política como Cynara e muito menos socialista ou comunista. Mas vou transcrever o seu "edital" que li e aplaudi de pé! Avante:

- fora PT! socorro, aécio! socorro, alckmin! socorro, FHC! socorro, eduardo cunha! nos salvem dessa quadrilha.
aí surge alguma denúncia contra essa gente e o discurso deles muda:
- todos são iguais! queremos que todos sejam punidos.
é mentira. o que a direita quer é perseguir a esquerda, como sempre foi. (e olha que o PT nem tem sido de esquerda há muito tempo.)
o brasil ganharia se as coisas ficassem mais claras, mais assumidas. o que eles querem não é tirar o PT do poder, é banir a esquerda do país. e estão dispostos a se aliar A QUALQUER FACÍNORA para isso.
não vão conseguir. sabe por quê? porque o povo sabe quem está ao lado dele o/


Ufa! Não estou sozinha na minha cruzada contra os direitopatas! Vai vendo o que eles ainda vão fazer! Vai vendo!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2016

A casa está pronta para receber 2016! Que seja leve, que seja doce, com saúde e paz!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Saudades...

Tuas hortênsias estão lindas... Elas nos deixam saudosas das tuas mãos pequeninas e delicadas. Sabe a ausência? Então... Matamos a saudade através das doces lembranças que nos deixaste. No ano que logo termina, teremos hortênsias... Mamãe pediu para dizer-te que tudo o que plantaste floresceu e ainda sobrevive. Ela chora de saudades tua. Para sempre te amaremos, Vovó Nina!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Chico Buarque de Holanda-Paris: Os Haters atacam novamente

Há poucos dias eu postei um vídeo de uma música do Chico Buarque. Assim, a esmo... Porque simplesmente amo o Chico. Amo suas canções, seus livros, seus ideais e sua história de vida! Mal sabia eu que, poucos dias depois, os detratores da democracia iriam atacá-lo publicamente por ele estar do lado da presidente Dilma. Existe uma ala conservadora na nossa sociedade atual que tem o seguinte pensamento: se o cara é rico ele não pode ser petista. Ser petista é coisa de pobre, de quem recebe auxílio-benefícios. Ter um apartamento em Paris, como é o caso do nosso ilustre cantor, é uma afronta para os opositores do PT. Eles não se conformam e a única maneira de agredir Chico Buarque é jogando na cara dele o apartamento de Paris. Arrogantes, desrespeitosos e cruéis. Esse é o perfil dos playboys que atacaram Chico Buarque na saída de um restaurante no Leblon, dentre eles o filho de Álvaro Garnero e Tulio Dek - sobrinho de Orlando Morais (marido de Glória Pires) - que namorou a Cleo. Eles se acham no direito de apontar o dedo para um dos maiores mitos da Música Popular Brasileira. Eu não sei se sinto nojo ou se sinto pena. Chico, bom... Chico dá boas risadas sobre os haters

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Regulamento - por Heduardo Kiesse

REGULAMENTO
(Aos praticantes do sonho)


Artigo 1.º
Não estacione o coração em becos sem saída (demore o tempo estritamente necessário para largar despedidas ou carregar abraços)

Artigo 2.º
Se beber, com o intuito de se lavar por dentro, não conduza (é quase impossível dar banho ao pensamento sem molhar a lucidez)

Artigo 3.º
Antes de atravessar a realidade, pare, escute e olhe, certifique-se de que não existem ilusões em contra-mão (descalce os caminhos que já não lhe servem – caminhos são sapatos que a terra nos oferece para descalçar irrealidades)

Artigo 4.º
Não abra a boca a beijos desconhecidos (especialmente aos conhecidos que se fazem desconhecer)

Artigo 5.º
Evite adormecer em sonos usados (cansam mais do que subir o infinito a pé)

Artigo 6.º
Seja mais sonhamor e menos sonhador (a dor não faz falta. Cria ausências)

Artigo 7.º
Nunca faça amor em locais proibidos, salvo em legítima defesa da saudade.

Heduardo Kiesse