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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Aylan Kurdi . . .


Sobre a imagem que correu o mundo hoje... do menininho de três anos morto no naufrágio durante a travessia para a Europa: Menino sírio, você é o símbolo de todas as crianças que não tiveram a oportunidade de crescer, seja de qualquer parte do planeta, cor e classe social. Menininho, dorme agora. O mundo anda tão estranho.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Professores, oremos!


Esta imagem é uma síntese da seletividade das manifestações no Brasil. Professores não dão ibope. A Globonews não cobre o evento em tempo integral. Não há selfies com a tropa de choque. Nem panelaços nas varandas gourmet! Não há desfiles com camisetas verde-amarelas. Hoje a Educação está manchada de sangue! E pouca gente se comove. Aliás, o foco é destituir a presidente da República. Até "trocar" os presidentes do Brasil com o da Indonésia eu já li como sugestão para acabar com os traficantes! Como se o segundo colocado na corrida presidencial deste país nada tivesse a ver com drogas, tráfico, "helipóptero"... Mas, calemo-nos. Em breve a mídia vai colocar a população contra os professores mesmo, como sempre fizeram. E segue o seco.

Christiane Bianchi

quinta-feira, 6 de março de 2014

Para Alex , com carinho

Por Jean Wyllys


Quem me acompanha por aqui sabe que não tenho, por hábito, tratar de minha vida privada nem de minha intimidade. Concentro-me em debater idéias e fatos, sobretudo os ligados ao meu trabalho ou ao meu consumo cultural. Mas hoje vou abrir uma exceção... Hoje tive uma crise de choro ao ouvir, vinda da lanchonete da esquina, a música "No dia em que eu saí de casa". A letra descreve quase que em detalhes um episódio de minha vida (e, por isso mesmo, as lembranças de minha mãe foram tão inevitáveis quanto as lágrimas).

Depois de ouvir essa música, ainda sentado ao computador para concluir uns textos, li a matéria de O Globo com a história completa do garotinho Alex, morto a pancadas pelo próprio pai para que "tomasse jeito de homem". Alex, natural de Mossoró, RN, fora enviado, pela mãe, ao Rio de Janeiro para viver com o pai, desempregado e envolvido com o tráfico de drogas, porque ela, mãe de outros três filhos (também criados por terceiros), poderia perder a guarda de Alex por não enviá-lo à escola, já que não tinha meios para tal.

Olhei a foto do enterro de Alex e meu coração se apertou ao perceber que não havia quase ninguém lá... Sozinha, aquela semente indefesa esmagada violentamente por sua natural exuberância, não tinha ninguém por ela na despedida dessa vida que lhe foi tão injusta. Meu coração se partiu e não pude controlar os soluços de choro. Por um instante, vi-me naquele caixão, sem futuro...

Semelhante a Alex, quando criança, eu também não tinha "jeito de homem"; gostava de brincar com as meninas, de roda; de desenhar no chão com palitos de fósforo riscados e pegava, escondido, as bonecas de plástico baratas de minhas primas; semelhante a Alex, eu gostava de cantar e dançar e essa minha diferença me tornava alvo de injúrias e insultos desde que me entendo por gente. Cresci sob apelidos grosseiros e arremedos feitos pelos de fora. Naquela miséria em que eu vivia na infância, trabalhando desde os dez anos de idade nas ruas, o meu "jeitinho" me fazia vulnerável... E eu sabia disso ou, ao menos, intuía; por isso, dediquei-me aos estudos e ao exercício da minha inteligência. Busquei ser um menino admirável na escola e na Igreja para que meus pais não tivessem desculpas para me bater por aquilo que eu não podia mudar em mim. Nem minha mãe amada nem meu pai que já se foi me espancaram por eu ser diferente, mas, ante os insultos e as injúrias de que eu era vítima, ambos me pressionavam com olhares e cobranças e meu pai, em particular, com um distanciamento.

Minha estratégia de sobrevivência deu certo, em casa e na escola.  E virei orgulho de meus pais, irmãos e de todos os meus familiares e vizinhos que me insultaram. Hoje eu quis, do fundo de meu coração, ter encontrado Alex antes de sua morte violenta e trazê-lo para perto de mim; quis voltar o tempo e livrá-lo da miséria em Mossoró e das mãos de seu algoz; de chamá-lo de "filho"; olhar em seus olhos e dizer "Por onde você for, eu te seguirei com meu pensamento pra te proteger"; quis apresentá-lo à minha mãe para que ela dissesse, a ele, "seu pai era igual a você quando criança e hoje eu tenho muito orgulho dele"...

Não deu, Alex. O destino nos contrariou: não nos quis juntos. Mas, em minhas orações, eu vou pedir a Deus, se é que ele existe mesmo, que ilumine sua alma...

(Trechos)


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Tragédia Anunciada

O texto abaixo foi transcrito do blog Tijolaço, a respeito da morte do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, ferido durante uma manifestação no Rio de Janeiro na quinta-feira passada. 


  
É óbvio que, poucas horas depois do anúncio da morte cerebral do cinegrafista Santiago Andrade, não existem condições para o protesto convocado para hoje no centro do Rio.

Faze-lo é abrir caminho para todo tipo de provocador.

E para as reações mais brutais de policiais que vão se sentir politicamente protegidos para “baixar o porrete”.

Tanto é assim que duvido que a ele compareçam mais do que uma dúzia de gatos pingados, “ativistas” da falta de bom-senso e da irresponsabilidade.

Assim como é falta de bom-senso e de responsabilidade a ação dos que estão sustentando estes grupos, sejam quem forem.

Inclusive do Ministério Público e da Justiça, que não os responsabilizaram por todo tipo de depredação e destruição que provocaram.

E dos políticos que, à direita e à pseudoesquerda, toleraram e passaram a mão na cabeça deste tipo de atitude que, afinal, conseguiu o que queria: transformou os legítimos movimentos sociais de protesto – e não falta contra o que protestar – em sinônimo de pancadaria e baderna.

Alguns entram aqui para fazer agressões e ameaças, pouco se me dá.

Não vou parar, como faço há dias, de afirmar que é hora de dizer não a isso.

Quem tem que se lamentar, a esta altura, são os que, por um paternalismo equívoco, deixaram de cumprir seu papel e dizer que democracia se faz com povo e de cara limpa, não com paus, pedras e máscaras.
Claro que nem todo mascarado é vândalo.

Mas, mesmo não sendo, é no mínimo um idiota que não percebe que dá cobertura com isso aos que são e a todo tipo de imbecil que vai descarregar seus desajustes psíquicos com estas fantasias.
Isso não é uma brincadeirinha.

Isso  mutila pessoas e mata pessoas, de todos os lados.

Mas, pior, isso arruina a democracia, a liberdade, o direito de manifestação pacífica e desarmada.

E abre caminho para os fascistas, se os democratas não tem coragem de dizer não.

Quem tem história nas lutas populares, inclusive quando não havia liberdades, não pode aceitar ser patrulhado por quem quer que sejamos lenientes com a selvageria.

Mesmo a de meninos de “muito boa família”.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Menino Joaquim

"A vida é festa": foi o que escrevi ontem. Entretanto, para muitas pessoas, a vida é triste e doída, é luta, sofrimento, martírio e medo. A vida que sucumbe à maldade, às sombras, à escuridão. E quando a gente vê uma criança e se enche de esperança, e acredita que o bem vence o mal, somos surpreendidos, mais uma vez, pelo noticiário. Jamais pensei que depois do garoto Brayan, eu voltaria a escrever, em tão pouco espaço de tempo, a respeito de uma vida acabada tão precocemente. Pois é, no meio disso tudo, enquanto a roda da vida gira e nos iludimos com euforias passageiras,  eis que nos deparamos com mais uma história triste. A vida do menino Joaquim acabada tragicamente, com apenas três anos de idade. Um inocente entregue aos desvarios de um casal desequilibrado... E de uma mãe que não protegeu seu filho. Ninguém no mundo deveria ser mais importante do que um filho. Eu não trocaria (e não troco) um filho por nenhuma outra pessoa deste mundo! Descanse em paz, Joaquim. E que Deus dê muita força para o seu pai lutar por justiça. A justiça que você merece. 

Joaquim e seu pai Arthur
De acordo com as investigações, Joaquim deve ter morrido no dia 5 de novembro. As causas da morte ainda estão sendo averiguadas, mas já é sabido que ele já não tinha vida quando foi jogado no rio da cidade de Ribeirão Preto, interior de SP. Seu corpo foi encontrado no domingo à tarde, dia 10, a 150 km do lugar onde desapareceu. A mãe e o padrasto são os principais suspeitos deste crime bárbaro. 

domingo, 30 de junho de 2013

Menino Brayan

Anjinho, de tudo o que eu vi de triste neste mês de junho, a sua morte me comoveu de forma peculiar. Uma criança linda, um inocente, uma vida ceifada na mais tenra idade. Quando Eric Clapton perdeu seu filho de 4 anos em um acidente, ele compôs uma canção chamada Tears in Heaven - Lágrimas no Paraíso.  Sempre me vem à cabeça essa música quando uma criança morre... Sabe, eu acredito na justiça de Deus. E você, Brayan, hoje está no Céu com tantos outros anjinhos. Que Deus tenha misericórdia da raça humana!


Beyond the door / Além da porta
There's peace /  Há paz
I'm sure / Eu tenho certeza
And I know there'll be no more / Que não haverá mais
Tears in heaven / Lágrimas no paraíso


Brayan Yanarico Capcha era um garoto boliviano, de 5 anos, que morava com a família em São Paulo. Durante um assalto, na madrugada do dia 28 de junho, os bandidos se irritaram com o choro do menino. Ele implorava aos criminosos para não matarem sua "mamãe". Um dos bandidos atirou na cabeça do garoto. Não satisfeitos com a quantia de 4,5 mil reais entregue pelas vítimas, executaram Bryan. Ele foi atingido no colo da sua mãe. Um "rapaz'' de 19 anos foi preso como suspeito do crime.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Santa Maria

"Nossa linda juventude página de um livro bom..."


Centenas de jovens não terão a oportunidade de terminarem suas histórias. Um livro de inúmeras páginas em branco. O que seriam? Agrônomos, veterinários, advogados, juízes, promotores, jornalistas, publicitários... Pais sem seus filhos, crianças que irão crescer sem seus pais. Amigos, professores, um país inteiro entristecido e impotente diante de tamanha tragédia. "Vida louca, vida breve."


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

À procura de quê?

'Apoiei o sonho dela’, diz marido de modelo morta ao colocar silicone

Jovem de 24 anos era miss Jataí Turismo e sofreu duas paradas cardíacas. Ela foi operada em hospital de Goiânia; família acusa médico de negligência. ( 01/12/12 )


Mulher morre após fazer cirurgia plástica em Governador Valadares

Dona de casa Alessandra Silva de 41 anos morreu após cirurgia estética. Segundo médico, ela não apresentou problemas durante o procedimento. (25/11/12 )

http://g1.globo.com/mg/vales-mg/noticia/2012/11/mulher-morre-apos-fazer-cirurgia-plastica-em-governador-valadares.html

Eu tento entender, mas não consigo. Nos dois últimos meses foram noticiadas as mortes de várias mulheres em decorrência de cirurgias plásticas mal sucedidas. Mulheres jovens, bonitas, com uma vida inteira pela frente se arriscando em procedimentos cirúrgicos desnecessários! Hoje, qualquer  comodozinho com placa de "clínica estética" se acha no direito de realizar cirurgias complexas, sem profissionais adequados, sem CTI. Com tanta gente lutando para viver enquanto outras jogam suas vidas fora, em busca da vaidade, da perfeição, do culto ao corpo. Que pena!

domingo, 28 de outubro de 2012

Apenas garotas


Malala Yousafzai, paquistanesa de 14 anos, baleada pelos fanáticos talebãs por lutar pelo direito à educação. Tenho medo dos fanáticos religiosos em qualquer parte do planeta.




Caroline Lee, paulistana, 15 anos. Assassinada por jovens dementes simplesmente porque ela não quis entregar sua mochila durante um assalto. Tenho muito medo da demência e da crueldade dos seres humanos. 

E assim vamos vivendo... Rezando, pedindo a Deus para guardar nossos filhos e salvá-los dos monstros à solta! 

domingo, 29 de janeiro de 2012

Sem Entender

"O mundo anda tão complicado"... Já dizia Renato Russo. Estou num mix de tristeza e perplexidade pelo assassinato de uma jovem empresária aqui de Belo Horizonte. Ela morava perto da minha casa, também mantinha um blog, tinha uma loja no shopping do bairro Gutierrez...Enfim, mais uma mulher na triste estatística daquelas que tiveram suas vidas ceifadas por homens bárbaros. Acho que publiquei um post em 2010 com o título Até Quando? De lá pra cá perdi as contas de quantas outras foram mortas por seus "parceiros" traiçoeiros. Pelo que li hoje no portal Uai, a empresária do ramo da moda, Karina Mayer  (http://karinamayermoda.blogspot.com) foi encontrada estrangulada em seu apartamento. Depoimento do porteiro do prédio levou a polícia na captura do seu namorado. Ele pode ter cometido suicídio ou forjado a própria morte. Sua motocicleta foi encontrada perto de um viaduto na BR 040 com sua carteira de documentos.  Iniciou-se uma busca pelo corpo do rapaz que poderia ter se atirado no rio que passa embaixo do viaduto. Nada foi encontrado, ainda. Pois é, tanta vida pela frente, com apenas 35 anos, no auge da beleza da mulher, mais uma vítima da covardia se vai. E assim vai continuar. Não caberiam posts sobre todas elas, mas deixo registrada aqui a minha revolta e indignação! E a pergunta continua: Até Quando?

terça-feira, 5 de julho de 2011

A Infinita Crueldade Humana

Sabe, Christian, você para mim é um anjo. Eu preciso acreditar nisso. Não posso perder a minha fé ao imaginar as torturas pelas quais você passou. Vivia preso em uma jaula, como bicho. Era espancado pelo seu pai e por sua má-drasta (como a da menina Joana e a da Isabela Nardoni) e ainda sofria abusos. Segundo investigações da polícia de Indiana, nos Estados Unidos, até sua mãe e seu padrasto judiaram de você.

Por mais que eu tente, não consigo escrever esta mensagem como se fosse mais uma trágica notícia deste cotidiano selvagem. Preciso crer que, ao passar este acontecimento para meu 'espaço', estarei fazendo mais do que um serviço de informação. Para mim, é como se estas palavras pudessem chegar até você, Christian. Tenho um filho quase da sua idade, se você ainda estivesse entre nós. Ao ler sua história nas manchetes dos portais da internet, chorei. Imaginei a sua dor, queria poder acreditar que tudo era mentira. Não, como pode ser? Por quê? Porque ninguém interveio a seu favor, garoto? 

Apenas um menino... Um menino que escrevia cartas. Cartas que foram parar na promotoria. Mas, do que adianta agora? Você já se foi.. Pobre, Christian. Ficou "sumido" por dois anos! Somente agora encontraram o que restou de você enterrado na jaula onde morreu. Ninguém sentiu sua falta? Nenhum familiar, vizinho, sua mãe? Mãe? Ah, palavra ingrata!!! Como pode ser chamada de mãe um ser que entrega seu próprio filho para a morte? Meu Deus! Não quero perder minhas forças e nem minha fé. Mundo de provação. Mundo de horror. 

Christian, agora você é livre!



sexta-feira, 8 de abril de 2011

Barbárie

Perplexidade. Talvez, essa seja a única palavra capaz de definir o sentimento de uma nação em choque com o massacre dos estudantes, no Rio de Janeiro. O mau tem nome e sobrenome. Também tem um rosto e uma história. Os adolescentes entrarão na triste estatística de pessoas mortas por mãos de psicopatas. Há algum tempo, eu já postei aqui no blog mensagens alertando sobre o perigo iminente que cerca as instiuições de ensino. Eu já fui vítima de um aluno que, ensandecido, me agrediu fisica e moralmente perante os olhares assustados dos seus colegas e de algumas professoras. Nada aconteceu com este garoto, nada! A punição foi maior para mim, que adoeci e perdi muito do encanto que a docência em mim exercia. Aqui no Brasil, é costume passar a mão na cabeça de delinquentes, enquanto as vítimas são emocionalmente massacradas em suas vidas. Quando um ato de violência, como o que aconteceu comigo, sai dos limites da escola, aí entram o Conselho Tutelar, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Juizado de Menores Infratores, uma leva de gente para defender o agressor e jogar a culpa no agredido. Sim, é fato. Passei por isso.

Fico imaginando que a falta de punição a este tipo de estudante conduz ao que aconteceu no Rio. Uma carnificina promovida por um ex-aluno não é algo comum no nosso país. Mas pessoas desajustadas como o franco-atirador há aos montes por aí, escondidas atrás dos muros dos colégios, protegidos por leis absurdas! Evidente que este homem já havia deixado pistas do seu comportamento doentio. Será que, lá atrás, quando ainda estudava no E.M.Tasso da Silveira, alguém já teria sido vítima da sua psicose, maldade, insensatez? Será que alguém tentou alertar a família ou simplesmente ignoraram mais um "aluno" que sofre bullying? Um tímido que só quis se defender? Agora é tarde.

No fim de 2010 um universitário matou a facadas seu professor, aqui em Belo Horizonte, por discordar das notas dadas a ele pelo seu mestre. É assim mesmo que acontece. Hoje, mata-se um professor. Amanhã, serão dezenas de alunos... E quem vai pagar por isso? As pobres das famílias destruídas pela dor da perda de um filho? Os colegas que sobreviveram e ficarão para sempre marcados pela trágica lembrança daquela quinta sangrenta? Os professores, cada vez mais amedrontados e acuados, sem chances de defesa? A sociedade como um todo paga por esta conta. A fatura é alta. Nada terá o poder de apagar de nossas mentes este triste fato ocorrido em 7 de abril de 2011. Barbárie.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Joanna... Por quê?


Joanna Cardoso Marcenal Marins

Nascimento: 15/10/2004
Óbito: 13/08/2010
Local: Rio de Janeiro
Causas: Meningite e Maus-Tratos
Acusados: o pai, André Marins e a madrasta, Vanessa Maia
Atendida por um falso médico em um hospital de Nova Iguaçu
Mãe: Cristiane Cardoso Marcenal




Joanna, sei que agora você mora no céu, junto com Deus e com todos os anjinhos. Sei que você é um deles. Imagino sua carinha fofa e sapeca saltitando no paraíso das criancinhas. Perto de você deve estar também a Isabela Nardoni, o João Hélio, o Yves Ota, o João Roberto, tantos e tantos amiguinhos que, assim como você, nos deixaram cedo demais! Mas sabe, Joanna, acho que aqui não era o lugar de vocês. Sei que Deus quer pessoinhas maravilhosas perto Dele, por isso, de vez em quando, sobe um querubim para ficar protegendo quem ainda está por aqui.

Querida Joanjo, seus poucos anos de vida foram marcados por muitos momentos bons. Afinal, você tem uma mãe que te ama e que está lutando por justiça. Mas também, o destino pregou uma peça em você, criança! Quem diria, aos 5 anos de idade, ser tirada da companhia de sua mamãe para ir morar com papai André e sua madrasta Vanessa, que te deu duas irmãzinhas?!  Seu papai tem uma tia que é desembargadora, e foi assim que ele conseguiu tirar você da sua  mamãezinha. Mas papai fez uma coisa muito feia: ele não sabia que tinha um anjinho na casa dele. A cabeça do seu pai André não funciona direito, querida Jô. Acho que ele anda precisando de oração e de perdão. Sentimentos nobres, dignos de divindades... Um anjo conseguiria? Certamente que sim.

Aqui na terra, a gente ficou sabendo de uma história muito triste. Andaram contando que você, Joanna, ficou por vários dias amarrada pelos pés e pelas mãos, sentada dias e dias em cima de seu xixi e de seu cocô. Contaram também que você mal se alimentava, foi ficando fraquinha, com queimaduras no bumbum por falta de higiene local.  Mas anjinho, você estava presa, como poderia sair e pedir ajuda? Então, seu corpinho franzino começou a reagir e você teve convulsões. O papai André e a Vanessa pensaram que você estava com manha. Deixaram  que convulsionasse por três dias, até que.... Até levarem você para um hospital. O hospital é um lugar parecido com a floresta da Chapeuzinho Vermelho. Você nunca sabe quem pode encontrar pelo caminho. E infelizmente, querida, não era seu dia de sorte. Havia um Lobo Mau no meio do caminho...

O falso médico Alex Sandro da Cunha Silva, de 33 anos, mesmo vendo seu estado debilitado, liberou você. Sabe, Joanna, esse médico não cura o dodói das crianças e agora ele resolveu brincar de pique-esconde. Até hoje ninguém achou ele. A dra. Sarita, que contratou o Lobo Mau para trabalhar no Hospital Rio Mar, já está guardadinha dentro de uma casinha, esperando pelo seu coleguinha. Acredite, um dia, alguém vai achá-lo. Papai do Céu costuma ter um jeito diferente de nos ensinar as coisas, Ele fica brincando de charada o tempo todo. Sabe, os médicos bonzinhos descobriram muitas coisas sobre você. Aí eles foram contar para a polícia. A polícia investigou e prendeu seu papai. Ele está em um lugar chamado Bangu 8. Mas não se preocupe com ele. Preocupe-se com sua querida mãezinha, seu padrasto, seus irmãozinhos. Estão todos com muita saudade.

A sua babá abriu um livrinho e ficou lendo algumas historinhas para os adultos. Ela ajudou muito a sua mãe. Sua babá falou também da sua madrasta, a Vanessa. Mas também não se preocupe com ela, tudo vai ficar bem. O destino da Vanessa vai ser parecido com o da Ana Carolina Jatobá, uma moça meio brava que não gostava da enteada. A menina que Ana Jatobá não gostava é a Isabela Nardoni. Você deve conhecê-la, não? Anjinhos costumam andar juntinhos.... A Vanessa gosta de comprar brinquedos novos para a casinha dela. Quando seus avós fizeram uma festa de aniversário para você, ela quebrou uma cadeira nas costas do seu papai. Ele foi na delegacia e falou para o moço que fica lá, o que tinha acontecido. Depois, papai André comprou outra cadeirinha para a sua madrasta. O moço da delegacia resolveu também contar histórias. Ele andou dizendo que no livrinho dele tem 26 ocorrências contra papai André. Quanta gente resolveu falar agora, não é, Joanna?

Querida, acredite, tudo tem seu tempo e sua hora para acontecer. Fique em paz, seja uma anjinha feliz. Todos que acreditam na justiça de Deus e na jutiça dos Homens sabem que esta história não teve um final feliz, mas terá um final justo. 

Lágrimas No Paraíso

Você saberia meu nome
Se eu te visse no Paraíso?
Você seria a mesma
Se eu te visse no Paraíso?
Preciso ser forte
E aguentar firme
Porque sei que não pertenço
Aqui no Paraíso


Você seguraria minha mão
Se eu te visse no Paraíso?
Você me ajudaria a Levantar
Se eu te visse no Paraíso?
Encontrarei meu caminho
Pela noite e dia
Porque sei que não posso ficar
Aqui no Paraíso

O tempo pode te botar para baixo
O tempo pode fazê-lo curvar-se
O tempo pode partir seu coração
Fazê-lo implorar por favor
Implorar por favor

Atrás da porta
Há paz
Estou certo
E eu sei que não haverá mais
Lágrimas no Paraíso

Você saberia meu nome
Se eu te visse no Paraíso?
Você seria a mesma
Se eu te visse no Paraíso?

(Eric Clapton)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Até Quando?

"Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?"




Mércia Nakashima


Assassinada com requintes de crueldade, possivelmente no dia 23 de maio no interior de SP. Suspeito: o ex-namorado.
Glauciane Hara


Assassinada com mais de 20 facadas pelo ex-amante, em 4 de junho, na cidade de Torres, RS.



 Eliza Samudio
Até o momento está desaparecida. Denúncias dão conta de ter sido espancada até a morte. Ex-amante do goleiro flamenguista Bruno.








Em menos de um mês são três histórias de violência seguida de morte contra mulheres. Estas ainda apareceram na mídia, fora as outras que ninguém fica sabendo. Não é preciso julgar as atitudes das vítimas, já que seus atos, sejam eles quais forem, levaram-nas para um caminho sem volta. O preço que elas pagaram foi alto demais! Quanto aos algozes, resta aguardar se a Justiça vai fazer seu papel ou se a opinião pública irá transformá-las em culpadas e os assassinos em vítimas, como é de costume neste país.


Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura


(Gabriel O Pensador)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

INTERNET - Campo Minado

Atenção, leitores e leitoras deste blog. A notícia que está logo abaixo é um fato verídico e aconteceu na semana passada. Ela serve de alerta, caso você conheça alguém em situação semelhante. Em virtude de um relacionamento conturbado que teve início no orkut, uma médica paulista de 40 anos, Glauciane,  foi brutalmente assassinada na rua a facadas pelo "namorado" de 33, marceneiro, casado e com filhos. Toda a tragédia se deu na cidade de Torres, interior do RS. Sabe qual foi a alegação de Rodrigo, o amante? Agir em legítima defesa porque estava sendo perseguido por Glauciane. Essa fala típica de psicopatas reais ou virtuais tende a crescer, pois hoje todos podem agir em legítima defesa, tamanhas as brechas da "justiça" e da impunidade no nosso sistema penal/criminal. Enquanto isso, vidas vão sendo ceifadas, ora por facadas ora por injúrias que não atingem o corpo, mas a alma inexoravelmente, fazendo-nos morrer por dentro.

Um relacionamento iniciado pela internet terminou em assassinato no início da noite desta última sexta-feira em Torres, no interior do Rio Grande do Sul. O marceneiro Rodrigo Fraga da Silva, de 33 anos, confessou ter matado a facadas a médica paulista Glauciane Hara (foto), de 39 anos, em frente a um hotel da cidade. Acompanhado de um advogado, ele compareceu neste sábado na delegacia da região, prestou depoimento e foi liberado.

No depoimento, Rodrigo alegou que cometeu o crime em legítima defesa, pois ele e a mulher estavam sendo perseguidos por Glauciane. Os dois se conheceram na rede mundial de computadores há três anos e, desde então, vinham mantendo um relacionamento conturbado. Segundo a escrivã da delegacia que apura o caso, o marceneiro chegou a registrar dez boletins de ocorrência contra a médica.
A prisão preventiva do assassino confesso foi pedida à Justiça pelo delegado da cidade.

http://www.sidneyrezende.com/noticia/89307+rs+medica+paulista+e+assassinada+apos+conhecer+homem+pela+internet

Em respeito à vítima não colocarei imagem, até porque essa notícia não merece imagem. Por si só ela já demonstra uma cena dantesca de horror.

sábado, 27 de março de 2010

JUSTIÇA

Assim mesmo, em Caps Lock, na cor azul como o céu onde habitam os anjinhos, venho entitular esta postagem para homenagear àqueles que fizeram JUSTIÇA ao condenar o casal Nardoni pela morte da Isabella. Muitas atrocidades contra pessoas de boa índole são cometidas diariamente mundo afora. Há crimes que podem ser julgados, com veredicto justo e impondo aos réus um regime de reclusão para que não cometam outros crimes contra inocentes.


Contudo, há também os crimes que ficam impunes, pois são crimes que assassinam, violentam, destroem a alma de uma pessoa. São os crimes emocionais. Quanto a esses, temos que acreditar em dois tipos de justiça - a Divina ou a do Retorno (aqui se faz, aqui se paga). Nem todas as pessoas vítimas deste tipo de crime comentido por pessoas com verniz social, criminosos de mãos limpas,  podem recorrer a um júri e ter sua dor restaurada pela condenação destes réus disfarçados de gente, verdadeiros monstros.

Mas hoje, nesta data de 27 de março de 2010, venho endossar os gritos de outras centenas de milhares de cidadãos comuns que agradecem aos jurados o veredicto imposto aos réus Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Justiça foi feita! Parabéns a todos os envolvidos neste caso que lutaram para que a morte de Isabella não fosse apenas mais uma triste estatística da violência contra crianças, cometidas por pessoas doentes, psicopatas. Por isso é que dentro da área do Direito, sou fã incondicional da promotoria. Advogados existem aos montes, uns para defenderem inocentes, outros para defenderem os já sabidamente culpados. Advogados, ah, advogados! All Pacino que o diga! Paz, Isabella! Os homens fizeram JUSTIÇA!