sábado, 24 de agosto de 2013

Atire Pedras

Mas de vez em quando, seja vitrine!


Hoje é dia 24 de agosto de 2013. Dia par, mês do desgosto, ano ímpar. Do meu agrado, só sobrou o 24, e eu aqui expondo novamente o blog, dando milho aos pombos. Desde que fatos assombrosos aconteceram em minha vida, eu tenho repensado sobre minha exposição nas redes sociais, e, principalmente, no blog. Já disse isso uma vez e torno a repetir, escrevo em blog muito antes de ter tido Orkut e Facebook. Já se vão longos sete anos de confissões abertas ao público. Decerto, os registros aqui contidos podem ser lidos. Durante muito tempo eu acreditei que eles não me causariam problemas, afinal, quem liga pra blog hoje em dia, com Tumblr, Twitter, Linkedln, Instagram e Facebook, somente para citar os mais badalados? Alguém como eu, que seja pré-histórico em matéria de acompanhar o desenvolvimento da "Social Netwoork". E também alguém que traz dentro de si objetivos específicos, como por exemplo, se manter informado a respeito da minha vida. Concluo, portanto: vem porque quer. Enfim, tenho por este espaço uma espécie de afetividade. Às vezes, quando me canso, eu o fecho para visualizações externas, altero o nome da url, mas nunca fiquei sem escrever nele. E nunca o escondi. Não existe esta possibilidade em se tratando de internet.  A não ser que um dia eu decida removê-lo definitivamente. Somente desta forma, excluindo-o, é que o blog sairá do ar de uma vez por todas. Enquanto essa ideia não tomou conta de mim com fortes proporções, venho mantendo-o em doses suaves e homeopáticas de informações. Qualquer coisa que eu escrevo pode causar catástrofes emocionais a leitores desavisados acerca das minhas reais intenções. Uma frasezinha de nada, uma imagem qualquer, costuma gerar interpretações totalmente distorcidas daquilo que eu queria ter dito. É o preço que se paga pela exposição. Por isso é fácil ter Facebook. Você escolhe quem vê suas publicações, quem vê sua lista de amigos, quem visualiza suas fotos. Existe todo um mecanismo de controle lá que não se encontra nos blogs. Ou é aberto para todos ou somente para mim. É 8 ou 80. E eu sei que tem muita gente que gosta do "Adoro Ver-Te". Verdade. Sentem falta das visitas, dos posts e até dos (poucos) comentários. Eu, para bem dizer, sinto falta do tempo em que eu escrevia aqui e ninguém me visitava. Era mesmo um espaço para registros pessoais. Não ganho dinheiro para ter ou manter o blog. É gosto, é hábito e, talvez, seja também masoquismo. Porque ninguém gosta de saber que está sendo bisbilhotado para segundas intenções. Ninguém quer que uma ferramenta de diversão se torne uma arma contra quem escreve. Ter um blog é como ficar em uma casa de vidro, estilo Big Brother Brasil. Você fica aqui dentro tendo uma noção bastante mínima de quem está do lado de fora te olhando. Normalmente, quem olha, vê com olhos zombeteiros aquele ser exposto em suas feridas e em suas vaidades, em sua vontade de alcançar a fama, sair do anonimato. Ou, simplesmente, veem com olhos de aves de rapina, para alimentarem-se de restos. Mas não são capazes de se expor da mesma forma. Escondem-se atrás do muro para atirarem pedras. Muitas vezes a inveja causa sentimentos monstruosos em nós e ao não sabermos lidar com ela, preferimos transferi-la para o outro, devorando-o como carniceiros, tentando sugar a alma do indivíduo exposto na vitrine. Escrevendo isso eu me lembrei de uma frase dita por uma ex-diretora da escola onde eu trabalhava: "Às vezes somos pedras, outras, somos vitrines".  Hoje eu sou vitrine e pedras são lançadas contra mim. Certamente, já fui pedra algumas vezes. Sei, portanto, como é estar em ambas as posições. Isso me faz ter a obrigação de assumir uma postura diferente, porque "tudo que vai, volta." E que o blog siga adiante, até, quem sabe, um dia...