quarta-feira, 29 de junho de 2011

Jabuticabas

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.  Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 

"As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena.

Rubem Alves

sábado, 25 de junho de 2011

23 Anos...

25 de junho - Aniversário de Casamento


Eu preciso te falar
Te encontrar de qualquer jeito
Pra sentar e conversar
Depois brincar de encontro ao vento

Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo sol que te bronzeia

Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo
Te encontrar  num sonho lindo

Já não dá mais pra viver
Um sentimento sem sentido
Eu preciso descobrir
A emoção de estar contigo

Ver o sol amanhecer
E ver a vida acontecer
Num dia de domingo

Faz de conta que ainda é cedo
Tudo vai ficar por conta da emoção
Faz de conta que ainda é cedo
E deixar falar a voz do coração

Que o nosso coração possa se manter no mesmo compasso por todo o sempre...

Obrigada por existir na minha vida!

Te amo!

Chris


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Clarice...


Não deixe portas entreabertas.
Escancare-as ou bata-as de vez.
Pelos vãos, brechas e fendas
Passam apenas semi-ventos
meias verdades
e muita insensatez!

(Clarice Lispector)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Sabe com quem você está falando?

Para aquele que, ao menos uma vez na vida já se deparou com um sujeito arrogante, mandando a seguinte frase: "Sabe com quem você está falando?"

Se você faz parte desta estatística, assista ao vídeo. Vale a pena perder uns minutinhos.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Não negocio



Ando cansada de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis!

Algumas situações eu não negocio mais.

Tornaram-se impraticáveis atitudes de desprezo à minha inteligência.

São consideradas verdadeiras afrontas à minha perspicácia, a manutenção de mentiras insustentáveis.

Eu não negocio mais com trapaceiros.

Eu não aceito  injúrias, calúnias, difamações, humilhações e iras alheias.

Já não comporto no hall de sentimentos nobres pessoas metidas a espertas.

Tornei-me intolerante ao maniqueísmo de outrem, que insiste em me convencer de que o certo é errado e o errado é certo.

Desprezo com força total as desculpas esfarrapadas e a negação de fatos incontestáveis.

Repudio tentativas de convencimento da verdade absoluta.

Eu perdi a miha paciência com mentes doentias e psicopatas.

Estou dando minhas costas aos invejosos e dissimulados.

Joguei a pá de cal na ignorância, no desafeto e no mau-caratismo de alguns.

E se quiser gostar de mim, vai ter que ser assim!

sábado, 11 de junho de 2011

O Poder da Oratória

Agora é sábado de manhã e estava passando na Rede TV,  há poucos minutos atrás,  a reprise de uma manifestação de cristãos, evangélicos e católicos, contra o projeto de lei 122/06, que criminaliza o preconceito contra os homossexuais. No palanque, alguns senadores e deputados tomaram o microfone e propagaram suas ideias contrárias a esse projeto de lei. Mas o ponto alto do discurso foi quando o pastor Silas Malafaia, com a Constituição em mãos, bradava aos milhares de manifestantes os seus argumentos para derrubar o tal polêmico PL. Tendo como base o artigo 5º da Carta Magna, o líder religioso arrancou aplausos da plateia enlouquecida com sua oratória impecável. Tirando o excesso de gritaria, o pastor conseguia transmitir com demasiada clareza seu ponto de vista sobre a minoria (os homessexuais) querendo cercear o direito de expressão da maioria.

Eu fico pensando sobre os demais políticos que não fazem parte da ideologia cristã. Eles devem estar apertados, pois, já na campanha da eleição presidencial, ficou evidente o poder da bancada evangélica. Ela polemizou sobre a fala de Dilma Rousseff, que na época se declarou a favor do aborto. Por conta disso, quase perdeu a eleição. Agora, os líderes religiosos já conseguiram barrar a entrega do Kit Gay nas escolas públicas de ensino médio. Ou seja, não vai ser tão simples como se pensava, obter êxitos no âmbito da Justiça, acerca das mudanças sociais. Não sei para onde este país está rumando. Será que vamos ser uma nação divida por ideologias divergentes? Não seria possível uma convivência hormônica entre os cidadãos deste país, sem qua para isso fossem criadas leis específicas que segregam ao invés de unirem?

Enquanto o Estado continuar a intrometer-se na vida do seu povo, dando a eles o peixe no lugar da rede, estaremos diante de conflitos histriônicos. E será uma luta na qual o vencedor será aquele que obtiver o melhor discurso. É o poder da oratória sobre o poder da força. É aguardar para ver no que vai dar....

domingo, 5 de junho de 2011

Deixa quieto...


Não nos é lícito parar a máquina do pensamento para sopesar injúrias e desencantos. Se adversários que, em nos espancando o rosto e o coração, nos façam cair sob agonias morais insustentáveis, oremos por eles, pedindo a Jesus que os abençoe e livre do mal, a fim de que produzam o bem, para que o bem permaneça.

E livrai-me de todo mal, amém!

(Batuíra, por Chico Xavier)