sexta-feira, 28 de março de 2014

O Pássaro Encantado

O Amor não cabe em gaiolas!



Escrevi, faz muitos anos, uma estória para a minha filha de quatro anos. Era sobre um Pássaro Encantado e uma Menina que se amavam. O Pássaro era encantado porque não vivia em gaiolas, vinha quando queria, partia quando queria... A Menina sofria com isso, porque amava o Pássaro e queria que ele fosse seu para sempre. Aí ela teve um pensamento perverso: "Se eu prender o Pássaro Encantado numa gaiola, ele nunca mais partirá, e seremos felizes, sem fim..." E foi isso que ela fez. Mas aconteceu o que ela não imaginava: o Pássaro perdeu o encanto. A Menina não sabia que, para ser encantado, o Pássaro precisava voar...

Rubem Alves

segunda-feira, 24 de março de 2014

Ser Família


Psiconline Brasil


Uma ótima semana a todos! E lembre-se de refletir sobre quem são seus verdadeiros amigos!

Christiane

sábado, 22 de março de 2014

quinta-feira, 20 de março de 2014

Meu Filho Thales


Era a primeira manhã de outono. Chovia. Calmamente, eu aguardava pela chegada do meu bebê. O segundo filho nos traz mais tranquilidade. O obstetra calculara que ele chegaria por volta do dia 30 de março. Fiquei feliz, pois havia planejado que viesse sob o signo de áries e torcia para que esperasse até abril, o mês do meu aniversário. Mas a gravidez aconteceu antes e a vontade dele nascer também. Contrariando a minha cronologia,  por volta das 11h30, a bolsa estourou quando estava no banho. Primeira coisa que veio à minha cabeça: ligar para o médico. Segunda: ah, não! Vai ser de peixes! O último dia para aqueles que nascem no signo de peixes. Ele, então, seria do mesmo signo do pai. A gente faz cálculos, planeja, só que existe Alguém Maior que rege esse universo e Ele quis que assim fosse. No tempo Dele, não no meu. 

De malas a postos, seguimos para o hospital Mater Dei, eu e Humberto. Fui internada e passei por todo aquele procedimento de quem vai ter um parto normal. Com o primeiro havia sido assim, já sabia o que me esperava. Dr. Romeu chegou e logo me colocou no soro, aquele bendito soro que acelera as contrações. Isso por volta de 2 da tarde e já não chovia. Fazia sol e estava muito abafado. Aguardávamos pela chegada da pediatra, a Dra. Vânia. Quase não deu tempo de esperá-la, porque foi tudo muito rápido. Às 16 horas e 10 minutos, nascia naquele 20 de março de 1997, primeiro dia do outono, último dia do signo de peixes, o meu pequeno Thales. 

Ah, como era fofo! Parecia uma bolinha. Gordinho e bochechudo. Chorava horrores! Logo o trouxeram para que eu o amamentasse. Tinha o cabelo pretinho e era muito vermelhinho. Sinal de que se tornaria um menino de pele bem clara. Era um pacotinho. O nome já estava escolhido mesmo antes dele pensar em nascer. Isso aconteceu também com o Matheus. Agora eu tinha duas crianças para cuidar. Embora o mais velho já estivesse com cinco anos, era ainda um menino que chupava bico e tomava leite na mamadeira. Quando o irmãozinho chegou em casa, ele largou esses hábitos, já se sentindo um rapaz! 

O segundo filho a gente cria mais ligth, tem bagagem de sobra, experiências que não repetimos. Thales cresceu tão rápido, quando assustamos já tinha seis anos, doze, quinze e hoje completa 17. Meu filho magrelo, comprido, cabeludo e branquinho. Não se parece comigo nem com o pai, puxou à minha mãe, à família italiana dela. Inteligente, educado, discreto. Sempre foi assim, nunca se envolveu em confusão. Tem muitos amigos. Querido pelos professores, estudioso, nesse ano fará o Enem. Ainda não decidiu o curso, mas sei bem que irá ser um sucesso qualquer escolha que ele fizer. 

No seus perfis do facebook (é, ele tem dois: um oficial e um oficioso), deixei mensagens parecidas. Uma delas, vou postar aqui:

"Mãe lê pensamentos, tem premonições, sonhos estranhos. Mãe é arquivo! Mãe exagera, exaure, extrapola... Transborda, inunda, transcende!" 

Há quem diga que mãe é chata (e que não deve postar no mural dos filhos)... Mas, mesmo diante desta fama injusta - "mães são messiânicas"! Por isso venho aqui: para te desejar tudo de bom e de melhor! Esteja sempre atento aos acontecimentos e às pessoas. Principalmente àquelas que pela frente te abraçam e pelas costas soltam venenos contra ti! Deus te proteja. Parabéns, te amo, Thales!

Ao que ele respondeu:

"Obrigado, mãe. Também te amo minha linda S2


Do mesmo jeitinho contido, discreto. Mas amoroso e gentil. Por isso é que amor de mãe é o bem mais valioso do mundo. Ah, e de pai, claro. Afinal, ele não tem somente um pai, ele tem um amigo, companheiro, admirador e protetor. Um paizão! Um beijo especial para o nosso filho!

Canção de Outuno


Perdoa-me, folha seca, 
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, 
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão, 
se havia gente dormindo 
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles 
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono 
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

Cecília Meireles


sexta-feira, 14 de março de 2014

Dia da Poesia


Sem autoria e sem versos a poesia será encontrada
na pedra
no rosto e na copa das árvores ensimesmada

sinal
da sina
cor nos azulejos

o abraço das palavras
renova a presença das portas
e janelas de uma casa.

A poesia sim
se presta à prosa
da vida

invisível porcelana.


Fernando Paixão

sábado, 8 de março de 2014

Vivir Sin Aire - 8 de Março

Em homenagem a todas as mulheres que, assim como o ar, ninguém consegue viver!



Como quisiera poder vivir sin aire?
Como eu queria poder viver sem ar
Como quisiera poder vivir sin agua?
Como eu queria poder viver sem água
Me encantaría quererte un poco menos
Eu adoraria te querer um pouco menos
Como quisiera poder vivir sin ti?
Como eu queria poder viver sem ti

Pero no puedo, siento que muero
Mas eu não posso, sinto que morro
Me estoy ahogando sin tu amor
Estou me afogando sem teu amor

Como quisiera poder vivir sin aire?
Como eu queria poder viver sem ar
Como quisiera calmar mi aflicción?
Como eu queria acalmar a minha aflição
Como quisiera poder vivir sin agua?
Como eu queria poder viver sem água
Me encantaría robar tu corazón
Eu adoraria roubar teu coração

Como pudiera un pez nadar sin agua?
Como poderia um peixe nadar sem água?
Como pudiera una ave volar sin alas?
Como poderia uma ave voar sem asas?
Como pudiera la flor crecer sin tierra?
Como poderia a flor crescer sem terra?
Como quisiera poder vivir sin ti?
Como eu queria poder viver sem ti

Pero no puedo, siento que muero
Mas eu não posso, sinto que morro
Me estoy ahogando sin tu amor
Estou me afogando sem teu amor

Como quisiera poder vivir sin aire?
Como eu queria poder viver sem ar
Como quisiera calmar mi aflicción?
Como eu queria acalmar a minha aflição
Como quisiera poder vivir sin agua?
Como eu queria poder viver sem água
Me encantaría robar tu corazón
Eu adoraria roubar teu coração

Como quisiera lanzarte al olvido
Como eu queria poder lançar-te ao esquecimento
Como quisiera guardarte en un cajón
Como eu queria guardar-te em uma caixa
Como quisiera borrarte de un soplido
Como eu queria apagar-te com um sopro 
Me encantaría cantar esta canción
Eu adoraria cantar esta canção


Maná - Vivir Sin Aire

quinta-feira, 6 de março de 2014

Para Alex , com carinho

Por Jean Wyllys


Quem me acompanha por aqui sabe que não tenho, por hábito, tratar de minha vida privada nem de minha intimidade. Concentro-me em debater idéias e fatos, sobretudo os ligados ao meu trabalho ou ao meu consumo cultural. Mas hoje vou abrir uma exceção... Hoje tive uma crise de choro ao ouvir, vinda da lanchonete da esquina, a música "No dia em que eu saí de casa". A letra descreve quase que em detalhes um episódio de minha vida (e, por isso mesmo, as lembranças de minha mãe foram tão inevitáveis quanto as lágrimas).

Depois de ouvir essa música, ainda sentado ao computador para concluir uns textos, li a matéria de O Globo com a história completa do garotinho Alex, morto a pancadas pelo próprio pai para que "tomasse jeito de homem". Alex, natural de Mossoró, RN, fora enviado, pela mãe, ao Rio de Janeiro para viver com o pai, desempregado e envolvido com o tráfico de drogas, porque ela, mãe de outros três filhos (também criados por terceiros), poderia perder a guarda de Alex por não enviá-lo à escola, já que não tinha meios para tal.

Olhei a foto do enterro de Alex e meu coração se apertou ao perceber que não havia quase ninguém lá... Sozinha, aquela semente indefesa esmagada violentamente por sua natural exuberância, não tinha ninguém por ela na despedida dessa vida que lhe foi tão injusta. Meu coração se partiu e não pude controlar os soluços de choro. Por um instante, vi-me naquele caixão, sem futuro...

Semelhante a Alex, quando criança, eu também não tinha "jeito de homem"; gostava de brincar com as meninas, de roda; de desenhar no chão com palitos de fósforo riscados e pegava, escondido, as bonecas de plástico baratas de minhas primas; semelhante a Alex, eu gostava de cantar e dançar e essa minha diferença me tornava alvo de injúrias e insultos desde que me entendo por gente. Cresci sob apelidos grosseiros e arremedos feitos pelos de fora. Naquela miséria em que eu vivia na infância, trabalhando desde os dez anos de idade nas ruas, o meu "jeitinho" me fazia vulnerável... E eu sabia disso ou, ao menos, intuía; por isso, dediquei-me aos estudos e ao exercício da minha inteligência. Busquei ser um menino admirável na escola e na Igreja para que meus pais não tivessem desculpas para me bater por aquilo que eu não podia mudar em mim. Nem minha mãe amada nem meu pai que já se foi me espancaram por eu ser diferente, mas, ante os insultos e as injúrias de que eu era vítima, ambos me pressionavam com olhares e cobranças e meu pai, em particular, com um distanciamento.

Minha estratégia de sobrevivência deu certo, em casa e na escola.  E virei orgulho de meus pais, irmãos e de todos os meus familiares e vizinhos que me insultaram. Hoje eu quis, do fundo de meu coração, ter encontrado Alex antes de sua morte violenta e trazê-lo para perto de mim; quis voltar o tempo e livrá-lo da miséria em Mossoró e das mãos de seu algoz; de chamá-lo de "filho"; olhar em seus olhos e dizer "Por onde você for, eu te seguirei com meu pensamento pra te proteger"; quis apresentá-lo à minha mãe para que ela dissesse, a ele, "seu pai era igual a você quando criança e hoje eu tenho muito orgulho dele"...

Não deu, Alex. O destino nos contrariou: não nos quis juntos. Mas, em minhas orações, eu vou pedir a Deus, se é que ele existe mesmo, que ilumine sua alma...

(Trechos)


domingo, 2 de março de 2014

Tia Geralda




Tia Geralda era a irmã mais velha da minha saudosa avó Izolina. Viveu por 95 anos. Foi-se embora como um passarinho. Uma pessoa com personalidade forte, deixará um legado de vida honesta. Uma mulher dada a bravuras e fortalezas de naturezas desconhecidas. A ela, a nossa saudade....

Geralda Moraes
* 22.11.1918
* 02.03. 2014