quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Mateus Solano

"Pelas contas do rosário! Será que eu salguei a Santa Ceia?"


"Mami poderosa e Papi soberano". É assim que Mateus Solano, ou melhor, Félix, o personagem master deste talentoso e promissor ator global, se refere à Pilar (Suzana Vieira) e César (Antônio Fagundes), seus pais na bombástica novela Amor à Vida, uma novela com crase (vem aí um post sobre isso). Há muito tenho tido vontade de falar sobre esse personagem tão intenso e controverso como o Félix, um vilão do qual não conseguimos ter raiva. Decerto, ele desperta a ira de muitos telespectadores, principalmente quando faz piadas de cunho religioso ou quando chama sua secretária de cadela. Porém, a maneira como Mateus construiu a personalidade de Félix, faz-nos enxergar para além de suas maldades - Félix é humano dentro de sua desumanidade, da sua falta de caráter e de escrúpulos. Vemos isso claramente quando se sente rejeitado pelo pai. Entretanto, Félix é inoportuno, interesseiro, ciumento, narcisista, manipulador, egocêntrico e dissimulado. O "e" não encerra por aqui os inúmeros defeitos do galã malvado, todavia, não se faz necessário desfilar uma carreira de adjetivos para qualificá-lo ou, no caso, desqualificá-lo.

Quando Walcyr Carrasco deu vida ao Félix, ele projetava um vilão atípico: um homossexual sem caráter. Até então nada a respeito tinha sido mostrado em horário nobre, no campo das relações minadas e dos temas polêmicos que o próprio autor, gay assumido, se propôs a debater. Se não fosse o talento indiscutível de Mateus Solano, acredito que Félix cairia naquilo que se chama, no jargão televisivo, de personagem caricato. Quando eu o vejo em cena, esqueço-me da falta de caratismo dele e me deslumbro com a capacidade de interpretação de Mateus! Sua atuação é simplesmente perfeita, a tonalidade de sua voz, os trejeitos, a ironia do olhar, o sorriso debochado e as tiradas indefectíveis que lhe renderam uma página no facebook com quase dois milhões de seguidores. Os internautas não curtem a fan page por achar que Félix é um exemplo de pessoa ou por admirar suas atitudes. Eles curtem porque Félix é diferente de tudo o que já foi mostrado em termos de vilania nas telenovelas. O Crodoaldo Valério, de Marcelo Serrado, era igualmente engraçado, mas era bonzinho e, além disso, secundário na trama de Aguinaldo Silva. Dizem que Carminha foi uma das melhores vilãs dos últimos tempos, embora eu deva ser a única que discorde disso. Adriana Esteves fez um único papel de sucesso: a Catarina de O Cravo e a Rosa, que, inclusive, está no Vale a Pena Ver de Novo. E vale mesmo! Eu detestava a Carminha, aquela gritaria toda, eu detestava e não assisti Avenida Brasil... Mas, enfim, sou minoria e minoria não conta! Só que, nem Crô e nem Carminha chegam aos dedinhos dos pés de Félix Khoury!

Ainda a respeito da criação do personagem, se buscarmos a etimologia da palavra Félix encontraremos, vindo do Latim, a sinonímia feliz. Feliz - alegre. Alegre - gay em inglês. Não por acaso, Walcyr escolheu esse nome para Mateus Solano. E o que dizer de Pilar? A sustentação da família, a base, o concreto. E se formos pensar em César? Vêm à minha cabeça o nome do imperador romano Caio César, um grande político e administrador, o papi homofóbico e soberano de Félix. Eu poderia escrever sobre isso e me perder no texto, pois é sabido que os autores, via de regra, tanto na literatura quando na teledramaturgia, pesquisam bastante sobre a personalidade de seus personagens e lhe imprimem nomes adequados. Claro que isso não é uma regra rígida, porém, bons escritores fazem isso. Como diria meu ex-professor de literatura brasileira: "Vocês sabem por que Machado colocou o nome de Capitu? Pois bem, não sabem, vamos lá - captura, capitólio, captar... E sabem por que o amigo traidor de Bento Santiago (santo e pecador - Iago de Otelo) chamava-se Escobar? Porque Escobar é (quase) um anagrama de cobra e a palavra é sibilante como uma serpente traiçoeira - Essssssssssscobar. O que traiu o amigo." Nunca me esqueci desta aula, do seminário sobre a inocência ou culpa de Capitu e da loucura que esse professor tinha pela obra Dom Casmurro.

Em comparação com Mateus Solano, não é com igual admiração que vejo Walcyr Carrasco. Aliás, quando a novela passou do centésimo capítulo, tornou-se insuportável de assistir. Tramas paralelas sem sentido, personagens que ficam dias sem aparecer, exagero de Elisabeth Savalla e Tatá Werneck que começou tão bem! E aquela Aline, que nojo! Mulher abominável, debochada, sem caráter e sem o carisma de Félix. Nem engraçada ela consegue ser, não tem empatia com o público. É a vilã tradicional - destila maldade e só. Mesmo assim, apesar de claudicante e mantendo bons índices de audiência, gosto de ver Félix em cena, gosto também do Eron-sempre-lindo-Marcelo-Antony, admiro Bruna Linzmayer e sua naturalidade para interpretar uma autista, a Linda. Tenho uma aluna autista, chama-se Luíza e Linda me emociona, assim como Luíza me ensina diariamente. Concluo que, de certa forma, ainda há algo de bom para se assistir em Amor à Vida. Nem que seja por esses que citei. Nem que seja para ver Mateus purpurinando e tornando nossas noites mais descontraídas, porque,  "pelas contas do rosário", não está fácil pra ninguém!

Christiane Bianchi


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

I Feel Broken Down

Dias quentes, dias arrastados... Desânimo, preguiça, falta de inspiração. Esperando novembro chegar. Mudanças. Coragem. Força e Fé!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Mário Quintana


"Amar: Fechei os olhos para não te ver e a minha boca para não dizer... E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei, e da minha boca fechada nasceram sussurros e palavras mudas que te dediquei....O amor é quando a gente mora um no outro." 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Príncipe George

George Alexander Louis
Há muitos que pensam ser a nobreza, antes de tudo, apenas a ostentação de luxo e de poder. No mundo encantado de Londres, uma família real vem nos mostrando que ser nobre é ter elegância e sofisticação com simplicidade no comportamento, apesar da luxuosidade, pompa e ostentação inerentes à monarquia. O príncipe herdeiro, que poderia ter uma infinidade de nomes, consta em seu registro apenas três: George Alexander Louis. Já começa por aí a demonstração de bom senso dos pais.  Há três meses eu estive na Inglaterra. Existe naquele lugar "tão, tão distante" uma atmosfera de magia contagiante. É como se estivéssemos dentro de um conto de fadas dos Grimm ou, até mesmo, em um capítulo de Harry Potter. Cada esquina tem o crivo da história da famosa ilha britânica. A casa onde morou Paul McCartney, o primeiro estúdio dos Beatles, a Abbey Road, o Castelo de Buckingham, os guardas da rainha, o Big Ben, os ônibus vermelhos de dois andares. Passeando pelas ruas impecavelmente limpas e floridas, ficamos a imaginar onde vivem os grandes artistas: Adelle, Phil Collins, os rapazes do Oasis e do Coldplay, Daniel Craig (agente 007), Helena Bonham Carter, Morrissey (The Smiths), enfim, a Inglaterra é um celeiro de grandes nomes da arte. São verdadeiros lordes e isso podemos comprovar pelo comportamento da família real. A educação começa de cima.  Em 22 de julho nascia o príncipe George. Foi em uma tarde ensolarada e muito quente, com uma sensação térmica de 40 graus. Do hotel, víamos pela TV as imagens das pessoas em frente ao palácio comemorando o nascimento do mais jovem sucessor ao trono britânico, filho de Kate e William. Eles, muito simpáticos, bem mais do que várias celebridades brasileiras, mostraram, sob os holofotes do mundo todo, o recém-nascido envolto numa mantinha simples, nos braços do pai. Agora que completou três meses, o principezinho foi batizado hoje. Seu traje, bem mais sofisticado,veio embelezar ainda mais aquele bebezinho de bochechas rosadas, a pequena realeza. Eles podem ostentar, eles são riquíssimos e chiquérrimos. Entretanto, não são nas roupas e nem nas joias que eles demonstram sua nobreza. A realeza britânica, hoje representada por William, Kate e George, somam valores que dinheiro nenhum é capaz de comprar: discrição, educação e carisma. Enquanto isso em terra brasilis, ser chique é outra coisa!  Vida longa ao príncipe George!


domingo, 20 de outubro de 2013

Laurinha - 6 anos

Linda, parabéns!


Laura Linda


Parabéns para a minha bonequinha! Que o seu caminho - com pedrinhas de brilhantes - seja abençoado pelos anjinhos, por Maria mãe do Menino Jesus e pelo Papai do Céu! Linda da tia dinda, amo você!


sábado, 19 de outubro de 2013

100 Anos de Vinícius de Moraes

Soneto de Aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece. 

Vinícius aos 4 anos
Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de Lydia Cruz de Moraes e de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes. 

Vinícius aos 15 anos
Vinícius teve três irmãos: Laetitia de Moraes, Lygia de Moraes e Helius de Moraes. Na foto acima, o poeta tinha apenas 15 anos.

Vinícius aos 17 anos

Aos 17 anos, ingressa na Faculdade de Direito, na rua do Catete, Rio


Casou-se nove vezes. Sua primeira esposa foi Tati de Moraes, com quem teve os filhos Susana e Pedro. Para ela criou o mais famoso verso: "Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure."

Posteriormente se uniu a Regina Pederneiras; Lila Bôscoli, com quem teve Georgiana e Luciana; Maria Lúcia Proença (a quem dedicou a crônica "Para viver um grande amor"); Nelita (para quem criou "Minha Namorada"); Cristiana Gurjão, mãe de Maria; Gesse Gessy; Marta Ibañez e, por último, com quem terminou os seus dias, Gilda Mattoso.

Uma vez perguntado a ele se era mulherengo, respondeu: "Mulherengo? Não, mulherólogo."


Fez inúmeras parcerias: Tom Jobim, Edu Lobo, Carlos Lyra, Baden Powel e Toquinho. Era amigo de Fernando Sabino, Manuel Bandeira, Pablo Neruda e Di Cavalcanti.

Um dia antes de morrer, Vinícius dera uma entrevista na qual fora questionado: "- O senhor tem medo de morrer?"

"Eu não estou com medo da morte, estou com saudade da vida."

 Vinícius de Moraes
* 19.10.1913
* 09.07.1980

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

What I Miss About You


Missing the train every morning at 8:52,
Sipping coffee from the same cup as you.
The sharing of secrets we thought no one else knew,
That's what I miss about you.

The new way that love had made me see,
Your bashful grin when you asked if I would like your key.
The knowing way you used to caress me,
That's what I miss about you.

You stole in with your starry smile exciting me,
Driving with you in your new car, feeling free.
If it's true that love is blind, then I was blind willingly,
You made me feel we had a future, that could be and would be.

The way you said I'd be no one on my own,
Your habit of soaking yourself in over-priced cologne.
The way you turned the light out when I knew you were home,
That's what I don't miss about you.

I bet you're using your weary magic like it's new,
Driving so fast with a new fool beside you.
Presumably believing she's the last of the lucky few,
I wonder if she knows she's being lied to like I do.

The way I only doubted myself when I was with you,
Like I was a fool for expecting something from life too.
Your skill of putting me down in-front of everyone we knew,
That's what I don't miss about you

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Conveniências


Há que se respeitar quem sofre de depressão, distimia, bipolaridade e demais transtornos psíquicos que afetam parte da população. Muitos desses pacientes recorrem à ajuda psicanalítica e se medicam a fim de minimizar os efeitos desastrosos que respingam em suas relações profissionais e pessoais. Conseguem tornar, assim, mais tranquila a convivência.

Mas tem um grupo que está longe de ser doente: são os que simplesmente se autointitulam “difíceis” com o propósito de facilitar para o lado deles. São os temperamentais que não estão seriamente comprometidos por uma disfunção psíquica – ao menos, não que se saiba, já que não possuem diagnóstico. São morrinhas, apenas. Seja por alguma insegurança trazida da infância, ou por narcisismo crônico, ou ainda por terem herdado um gênio desgraçado, se decretam “difíceis” e quem estiver por perto que se adapte. Que vida mole, não?

Tem uma música bonita do Skank que começa dizendo: “Quando eu estiver triste, simplesmente me abrace/Quando eu estiver louco, subitamente se afaste/quando eu estiver fogo/suavemente se encaixe...”. A letra é poética, sem dúvida, mas é o melô do folgado. Você é obrigada a reagir conforme o humor da criatura. [...]

Hoje em dia, se alguém chegar perto de mim avisando “sou uma pessoa difícil”, desejo sorte e desapareço em três segundos. Já gastei minha cota de paciência com esses difíceis que utilizam seu temperamento infantil e autocentrado como álibi para passar por cima dos sentimentos dos outros feito um trator, sem ligar a mínima se estão magoando – e claro que esses “outros” são seus afetos mais íntimos, pois com amigos e conhecidos eles são uns doces, a tal “dificuldade” que lhes caracteriza some como num passe de mágica. Onde foi parar o ogro que estava aqui?

Chega-se numa etapa da vida em que ser MISERICORDIOSO CANSA!!!. Se a pessoa é difícil, é porque está se levando a sério demais. Será que já não tem idade para controlar seu egocentrismo? Se não controla, é porque não está muito interessada em investir em suas relações. Já que ficam loucos a torto e direito, só nos resta nos afastar, meeeeeeesmo, e investir em pessoas alegres, educadas, divertidas e que não desperdiçam nosso tempo com draminhas repetitivos, dos quais já se conhece o final: sempre sobra para nós, os fáceis.

QUANDO EU ESTIVER LOUCO,SE AFASTE 
(Martha Medeiros - Revista O Globo - 14/04/13)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

O que me apavora


"Tenho pavor de não ser eu. Precisar esconder as emoções, ficar calada porque é mais bonito. Esperar a conquista acontecer. Não ando mais a fim de grandes projetos, sonhos, metas absurdamente altas, objetivos loucos. Quero mais é tomar sorvete e me lambuzar, ler um bom livro, sair de cabelo molhado e cara lavada e nem me importar se alguém estranhar isso. Ando com vontade de viver o exagero da simplicidade."

Ita Portugal

domingo, 6 de outubro de 2013

Dexter - O Fim


Michael C. Hall rindo muito do fim de Dexter

SPOILER

Você é um fã de Dexter? Acompanhou a série e está triste e decepcionado com o final? Pois não fique. Deixa de mimimi porque trata-se apenas de uma obra de ficção e como tal não merece uma ruga da sua preocupação, nem ao menos que apareça seu primeiro cabelo branco. Você queria um documentário sobre um psicopata, com roteiro bem escrito, queria ter encontrado verossimilhança com fatos reais, não é mesmo! Ah, bobagem! Dexter é Hollywood, é business. Os atores, diretores, as franquias e o autor do livro que deu origem à série estão com os bolsos abarrotados de "dólares" enquanto os fãs se revoltam nas redes sociais e fóruns de discussão! Dexter teve o seu devido fim. Nem mais nem menos. O fim possível e até surpreendente após a última e fraquíssima temporada. Aliás, Dexter, no meu entender, acabou na quarta temporada com a morte da Rita. Naquele momento ele deveria ter sido preso e tudo estaria a salvo. Não teríamos uma Debra apaixonada pelo irmão, o casamento de La Guerta e Batista, a decadência física de Quinn e uma filha para Masuka. E o povo fica se digladiando por Deb ter morrido, como se Jennifer Carpenter estivesse muito comovida com isso. Larga a mão, gente! Vamos torcer para o nosso vilão-psicopata made in Brasil - Félix Khoury - que dá mais negócio! Gostando ou não, fato é que, em última análise, sabemos que Dexter e companhia vão deixar saudade! Tive um trabalhão danado para preparar este post, perdi horas preciosas da minha vida printando cenas importantes do derradeiro episódio para registrar aqui o meu parecer. Daqui a alguns anos, quando eu reler tudo isso, vou rir de tanto tempo perdido, tanta discussão vazia sobre um roteiro psicodélico do nosso querido e - por que não dizer - fanfarrão Dexter Morgan!

Oliver Saxon: o segundo Trinnity na vida de Dexter

O maior vilão da oitava e última temporada de Dexter foi ele mesmo. Desde que perdeu Rita para Trinnity, em uma jogada mal feita, na qual teve a chance de matar o assassino e decidiu deixá-lo vivo, Mr. Morgan tentava entender seu dark passenger.  Queria ter uma vida normal, ser alguém comum, casar-se com Hannah e mudar-se com ela e Harisson para a Argentina, onde construiriam um novo começo e tentariam se ver livres dos crimes que haviam cometido. Neste entremeio, teve que lidar com o filho da neurocirurgiã Evelyn Vogel. O rapaz, tão psicopata quanto ele, travou uma briguinha infantil com Dexter para obter a atenção da doutora. Ela, aliás, foi uma chatice só, personagem sem carisma, monocórdica e inexpressiva. Daniel Vogel, ou Oliver Saxon - seu arqui-inimigo, foi "absolvido" da morte por Dexter, no penúltimo episódio. Como Deb decidira voltar para o departamento de polícia, seu irmão tinha a intenção de dar-lhe Saxon de presente, e ela teria a volta triunfal prendendo o homem mais procurado de Miami, na ocasião. Porém, o plano deu errado e um policial do FBI se interpôs na parada e o jogo virou contra Dex e Deb. Saxon matou o agente federal e acertou Deb com um tiro. Uma grande tempestade foi anunciada.


Fuga Frustrada

Enquanto a filha de Harry recebia os primeiros-socorros, a câmera mostrava, em outro plano, Dexter e Harisson no hall do aeroporto. Hannah já os aguardava escondida no toalete, porque Elway (who?) a havia perseguido e tentava impedir seu embarque para a América do Sul. Não entendo como os diretores deixaram escapar a caracterização de Hannah. Quando ela levou o garoto a um hospital para dar pontos em seu queixo, a atendente a reconheceu e avisou à polícia. Porém, ninguém mais a não ser essa recepcionista, teve a mesma ideia e a bela loira transitava sem nenhum disfarce por um aeroporto, onde todos estariam avisados sobre uma possível fuga da mulher mais procurada da Flórida. Achei isso um furo enorme! Com a habilidade do MacGyver, Dexter consegue se livrar do Elway pentelho.  O capitão Matthews liga para Dexter e o avisa sobre o acontecido com Debra. Os planos mudaram fazendo Hannah e Harisson pegarem um ônibus para outra cidade, que não estava na rota do furacão. De lá, os dois embarcariam para Buenos Aires. (Clique nas imagens para ampliá-las).
Despedidas









No Hospital

Dexter e Debra se encontram. Ela está consciente e tem uma conversa comovente como seu brother. Nesta altura, já dava para desconfiar que algo muito sinistro estaria por vir... Quem mandou ser bonzinho, não é, Dexter, e deixar o vilãozinho sem sal vivo para atirar na sua irmã!
















Remember the monsters

Momento flashback. Após visitar Deb no hospital, Dexter rememora o dia em que Harisson nasceu. Ele se lembra do diálogo estabelecido com sua irmã, que o faz pegar o bebê no colo. A partir daí o anti-herói começa a se questionar se daria conta de cuidar de uma criança. A nova tia do pedaço logo se apressa em dizer que não haveria pai melhor para o pequeno, uma vez que Dex cuidou dela quando criança. Neste momento ela o questiona - Você se lembra dos monstros? - Muito oportuna a fala de Deb! A frase soa como - você é um monstro, porém conseguiu me livrar de tantos outros da minha amedrontada imaginação! Não parou por aí: - Elas eram as sombras. - Sim, Deb. Era a sua mente projetando seu triste fim, monstruoso e sombrio. 
















A Vingança tarda, mas...

Revoltado consigo mesmo da tamanha burrice que fizera, Dexter planeja a morte de Saxon. Peraí, vou fazer um parênteses sobre esse cara: tão inexpressivo e desimportante foi o vilão, que tive de olhar no google como ele se chamava. Ponto. Prossigamos. Com a desculpa de fazer um exame de resíduo de pólvora no filhinho da neurocirurgiã, Dex, friamente, como nos velhos e bons tempos, bate um papo reto com o agressor de sua irmã. Após dizer a Saxon que o próprio havia lhe aberto os olhos, tê-lo feito ver que não pode sonhar e ter uma vida normal, Dexter lança um olhar fulminante no bobão e revela: "Vim aqui para te matar com aquela caneta". Duvida? Olha aí...








Depois do maquiavélico plano para matar Saxon ter dado certo e as câmeras de vídeo terem revelado que foi por "legítima defesa", Angel e Quinn dão a entender que Dexter sairia ileso da acusação de assassinato. Até aqui, Hannah e Harisson já haviam embarcada para a Argentina sem nenhum problema, a loira conseguira se livrar de Elway - um nome que deve significar o caminho - e a tempestade estava prestes a causar grandes danos na cidade de Miami.

A Tempestade

A ideia de inserir uma tempestade nos momentos finais do seriado não foi nada original. Os estúdios Disney fazem isso desde 1935, quando lançaram Branca de Neve. Podemos vê-la também em outros clássicos da animação americana, como no Rei Leão, Tarzan e etc., etc., etc. Qual o sentido da chuva no final? Debra já havia falado das sombras. Os monstros eram apenas sombras, ausência de luz. O cenário fica na penumbra, o nome do furacão, não por acaso, é Laura - a mãe biológica de Dexter. Há uma inserção de duas cenas com contraste claro/escuro: quando Dex, do barco, onde tudo está cinza, liga para Hannah, em outra cidade de céu ensolarado. Dexter o monstro, a sombra, a ausência de lucidez. Hannah é o raio de sol, loira, lúcida, capaz de dar ao pequeno Harisson uma vida distante dos perigos que rondam seu perturbado pai. Hannah desponta como a heroína, aquela que salvará a criança das trevas. A tempestade varrerá o vilão da cidade de Miami. A chuva limpa, transforma e torna tudo claro quando ela se vai.

Despedidas









Debra, a última vítima

Podem dizer o que quiser, mas achei muita coragem dos roteiristas, com a anuência do co-produtor Michael C. Hall, o Dexter, darem esse final para Deb. Vamos esquecer que os atores foram casados na vida real, vamos pular a doença de Michael, vamos deletar as quatro últimas temporadas. Esqueçam tudo até aqui. Vamos nos ater à Debra do início, uma detetive que desejava uma promoção no departamento de polícia, onde seu pai tivera uma boa carreira e também onde trabalhava como perito de sangue seu adorado irmão. Aquela moça esguia, com o andar masculinizado, de boca suja - "fock you, Dex" - mas totalmente encantadora! Debra Morgan era a fã número um de Dexter, ela o idolatrava, o amava incondicionalmente, sofreu horrores por ele, descobriu estar apaixonada, quebrou a cabeça tentando gostar de outros caras, matou La Guerta para defendê-lo, foi ao fundo do poço. Todos esperávamos um fim feliz para ela, que fosse com Dexter, com Quinn ou sozinha. Porém, vimos Deb morrer pelas mãos de Dexter. Não, não foi um assassinato frio e cruel. Foi eutanásia. O quadro clínico de Deb piorou depois da cirurgia e ela teria uma vida vegetativa: iria se alimentar e respirar por sondas, não reconheceria ninguém, estaria em estado de demência. A pintura desse diagnóstico não deu alternativa para o "grande irmão", que sempre cuidara da garota amedrontada. Eram as sombras que restariam a Debra. Dexter não iria deixar. Ele sempre a protegera dos monstros. A cena foi dantesca e pitoresca. Ninguém sabe, ninguém viu. Mas Dexter entrou no quarto da irmã, olhou-a fixamente como se estivesse pedindo perdão, disse que a amava e desligou seus aparelhos. 






















Continua

Colocou-a em uma maca, pegou-a no colo, depositou seu corpo encoberto num lençol sobre um banco do seu barco Slice of Life e partiu rumo à tempestade, nos confins do oceano... Deb, diferente das outras vítimas de Dexter, não estava nos sacos plásticos pretos. Estava envolta em um pano branco. Estava envolvida de paz e de luz. Houve muita simbologia neste último episódio. Como já disse anteriormente, muitos contrastes de cores. Dexter acariciou a face morta da irmã antes de lançá-la ao fundo do mar. O mesmo mar que abrigou os restos mortais de suas vítimas, tantas vezes, seus algozes. Agora era diferente. O corpo de Deb estava intacto, ela repousaria ou seria destruída pelo furacão? Mais provável que sim. Uma cena comovente que deixou muitos fãs furiosos. Ferozes e Furiosos.
















O plano perfeito

Estava concluída a primeira parte do plano. Dexter desaparecera com o corpo da sua irmã. Agora, faltava desaparecer consigo mesmo. Não poderia mais colocar em risco a vida daqueles a quem amava. E restavam Harisson e Hannah. Para protegê-los, Dex forjou a própria morte. Se o barco explodiu, se o deixou à deriva para o furacão destruí-lo, nunca saberemos. Nas cenas finais, essas possibilidades ficam implícitas, pois um narrador comunica em inglês e em espanhol o fim da turbulência: "Bom dia, Miami, o furacão Laura passou e tudo voltará ao normal. Não há mais ameaças... Furacão Laura está se dissipando lentamente. A limpeza começou e a cidade volta ao normal." Esta sentença daria uma dissertação. Contudo, não vou me arriscar a fazê-la, pois o post já está gigantesco e me dando um trabalhão! Quero me ver livre dele logo, como quero me ver livre das lembranças deste final macabro de Dexter. O filho de Laura não era mais uma ameaça, sem ele, a cidade estava limpa e voltaria à normalidade. Se é que você me entende, caro leitor. Miami estava livre da escuridão imposta pelo exterminador de gângsters! Deb estava liberta das sombras pela qual estava condenada a viver - a sombra do irmão assassino e a sombra de uma sobrevida inutilizada. O monstro foi pra floresta, foi ser caminhoneiro. Fez um realese do seu irmão Briani, o Ice Truck Killer, o melhor e mais bonito vilão de todo o seriado. Será que Dexter se transformaria no WTK - Wood Truck Killer? Isso também, nunca saberemos. 














Considerações Finais

O vilão da temporada, Saxon, foi muito fraco em relação a Brian Moser - primeira temporada; Trinity, quarta e Trevis, sexta. Foi uma temporada de apelos femininos - Vogel fazendo honras de mãe do Dexter; Hannah ocupando o lugar de Rita. Todas a vezes que Dexter não matou o vilão, ele perdeu, perdeu a esposa e perdeu a irmã. As mulheres de sua vida. E, para não perder Harisson, seu único laço de sangue, armou um plano de morte com muita consciência - ele se despediu do filho pela última vez. Levou Deb parao olho do furacão. Jogou o corpo dela sem nenhum peso, pois sabia que a tempestade a levaria para longe; explodiu seu barco - fatia de vida e foi castigado - não pela morte, como muitos queriam - mas com uma vida vazia. Ficará subentendido para todos os personagens da série que Dexter não suportou a vida vegetativa de Deb e decidiu morrer com ela. A tempestade foi inserida para deixar claro que o corpo de Deb jamais seria encontrado, nem o de Dexter. Psicopatas não cometem suicídio, leia qualquer livro que trate do assunto. Ele seguiu o código de Harry - nunca seja pego. Para os amigos ele poderá ser um herói, por ter matado Saxon ou um covarde, por ter "morrido" com Deb. O caminhoneiro barbudo jamais seria Harisson, como alguns chegaram a cogitar.  Em todas as temporadas foi dito: Dexter não pode viver em dois mundos, não pode ter família, amigos. E ele se isolou. FIM!


Meu nome é Christiane Bianchi e demorei quinze dias para concluir a análise sobre o fim da série Dexter. Obrigada a quem veio e leu até aqui. (Poderá gostar também de Como diria Dexter MorganDexter capítulo final )

Ghent City


Living in the paradise!

Boca Fala


"A boca faz parte do aparelho fonador e os lábios fazem parte do aparelho sedutor... Então, cuidado com a cor do seu batom! Ele é o pigmento da sedução e pode apresentar muito perigo para quem anda olhando a sua boca, digo, seus lábios! "

Por mim mesma

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Djavan - O Show

"Amor e o que é o sofrer... Para mim que estou jurado pra morrer de amor!"


Sexta-feira. Chovia torrencialmente em Belo Horizonte no fim da tarde do dia 4 de outubro. Uma espera de longos anos estava chegando ao fim. Neste dia chuvoso, ao anoitecer, aconteceria o show mais esperado por mim nos últimos anos: Djavan! Preocupação que o temporal atrapalhasse o espetáculo, ansiedade, fissura de fã. Assim foram as horas que antecederam a apresentação deste que é um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira. O cantor alagoano de 64 anos e de um vigor físico eletrizante, encantou, catalisou e fez vibrar uma plateia eufórica que lotou o Palácio das Artes em uma agradável noite primaveril! Com a turnê "Rua dos Amores", Djavan entrou em cena cantando uma música inédita. Não só apenas uma, várias. Não deixou, portanto, de cantar suas antigas e consagradas canções, como a do vídeo acima "Meu Bem Querer". Aos gritos de "lindo" e "eu te amo", Djavan sensualizou na dança, no sorriso largo 'de covinhas'. Com aquela voz magnífica e sua habilidade nos instrumentos de cordas, segurou sozinho sua épica cantiga "Oceano". Como não se emocionar? 

Após a fase banquinho e violão, na qual homenageou Dominguinhos com Retrato da Vida, Djavan pôs fogo na plateia ao convidá-la para a frente do palco. Muito amável, cumprimentava seus fãs, um a um, dando-lhes a mão. Diante dos seus maiores e inesquecíveis sucessos, ficamos de pé nos últimos minutos do show, emocionados e ouvindo "Flor de Lis", "Nem um dia", "Sina", "Samurai", "Cigano", "Seduzir", "Se",  "Acelerou", ... Nossa, haja fôlego! Djavan tem muita estrada e grandes músicas. Dentre todas, se porventura tivesse cantado Pétala e Faltando um Pedaço, eu não teria saído de lá inteira... Unforgettable!


Set list  Rua dos Amores

Rua Dos Amores
Pecado
Acelerou
Já Não Somos Dois
Asa
Meu bem Querer
Vive
Curimin
Mal de Mim
Anjo de Vitrô
Irmã de Neon
Bangalô
Oceano
Sorri
Retrato da Vida
Ares Sutis
Flor de Lis
Serrado
Cigano
Samurai
Seduzir
Nem um Dia
Se
Sina