quarta-feira, 23 de abril de 2014

Eu nÃo gOSto De NAda qUe TodO MuNDo GoSTa

O texto abaixo foi escrito pelo médico Eberth Vêncio e encontra-se disponível no site Revista Bula


Eu não gosto de sonhar dormindo mais do que eu sonho ao permanecer acordado.
Eu não gosto do altruísmo narcisista das redes sociais.
Eu não gosto de carinho quando estou nervoso. Eu não sou um cãozinho faminto que rola e late.
Ainda que seja amargo como eu, eu não gosto de chocolate.
Eu não gosto de esconder os ovos de Páscoa das crianças nos arbustos do jardim.
Eu não gosto de brincar com os sentimentos dos outros.
Eu não gosto de ficar bêbado até dizer a verdade.
Eu não gosto de revelar os meus deslizes sexuais a um padre.
Eu não gosto das farras animais.
Eu não gosto de rodeio, de meter as esporas.
Eu não gosto de esporrar nas entranhas de uma estranha.
Eu não gosto de puteiros, de igrejas e da maçonaria.
Eu não gosto de tanto mistério acerca da vida e da morte.
Eu não gosto da incompreensível euforia do carnaval.
Eu não gosto do réveillon.
Por mais estranho que possa parecer, eu não gosto de me confraternizar com estranhos.
Eu não gosto de feriados prolongados.
Eu não gosto de enforcar sextas-feiras.
Eu não gosto de mendigar atestado médico para salvar um dia.
Eu não gosto de entrar num elevador sem dizer “bom dia”.
Eu não gosto de seguir a onda.
Eu não gosto de fazer a ola no estádio.
Eu não gosto de estagiárias burras e desinibidas.
Eu não gosto de jogar na loteria.
Eu não gosto de sonhar em ficar rico.
Eu não quero uma Ferrari, uma ilha só pra mim ou um novo par de tetas.
Eu não gosto das mutretas.
Eu não gosto de operar milagres no SUS.
Eu não gosto de assistir a uma sessão de espancamento do MMA.
Eu não gosto de sangue no tatame.
Eu não gosto de ketchup no salame.
Eu não gosto dos filmes do Cobra e do Jean-Claude Van Damme.
Eu não gosto da ditadura do silicone.
Eu não gosto das cicatrizes que, de tão perfeitas, nem parecem cicatrizes.
Eu não gosto das caras recauchutadas das atrizes e das madames.
Eu não gosto da farsa de uma toxina botulínica sobre o sorriso.
Eu não gosto de dizer “eu te amo”, da boca pra fora, como se fosse “me passa a margarina”.
Eu não gosto de rissoles frios e de festa infantil.
Eu não gosto do meu aniversário.
Eu não gosto de ganhar presentes.
Eu não gosto do bife bem passado.
Eu não gosto daquele tempo em que eu era feliz e não sabia.
Eu não gosto de enaltecer o futebol como se ele fosse arte.
Eu não gosto do tira-teima da TV.
Eu não gosto de enaltecer o erro, esmiuçá-lo: o beiço de pulga, a pontinha da chuteira, o passinho-a-mais-à-frente… Eu acho deplorável massacrar um trio de arbitragem.
Eu não gosto de ler as bulas dos remédios.
Mesmo me sentindo — às vezes — um vendido, eu não gosto de ler os livros mais vendidos.
Eu não gosto das dinâmicas em grupo, do esforço concentrado, de rezar o terço, de fazer suruba.
Eu não gosto de novena, de novela e da dança da manivela.
Eu não gosto de assistir às retrospectivas de final de ano.
Eu não gosto da santa hipocrisia que reina em dezembro.
Eu não gosto de fazer planos em janeiro.
Eu não gosto do show da virada do Roberto Carlos.
Neste quesito, em particular, eu sou, sim, um cão que abomina foguetório.
Eu não gosto de negociar partilhas durante um velório.
Eu não gosto de dar esmolas no semáforo.
Eu não gosto de me sentir só no meio da multidão animada.
Por fim, de tudo o que o mundo gosta, eu gosto de quase nada.

  ADOREI!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Uma Verdade


Demorei muito para acreditar na mais louca e cruel verdade: quem gosta de você vai te tratar bem!

Clarissa Corrêa

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Porque ninguém vale mais do que sua paz


Garganta fechada, estômago embrulhado, mãos suadas, falta de apetite, insônia. Um médico ficaria preocupado com tais sintomas, afinal, pode ser uma nova gripe, um novo vírus. E é. De certa forma. As unhas roídas, a carne dos dedos sangrando, derramando em cada gota desse sangue amargo um resquício da angústia que desola milhões todos os dias. Ah, o poder de um telefonema não atendido, de um SMS não respondido, de um sorriso não correspondido. É devastante. Pessoas convivem com essa bomba relógio diariamente, esse tic tac que não te abandona nem em um show barulhento. E por mais humano e natural que seja ficar nervoso, de vez em quando, é preciso lembrar que essa adrenalina, essa fogueira na barriga, precisa uma hora se apagar.

A vida é cheia de pessoas. Ser gente é assim mesmo, se relacionar. A gente começa desde cedo a ter contato, a depender do outro. Quando crianças, passamos de mão em mão, sem saber andar. Nossos primeiros grunhidos são emitidos na ânsia de dizer algo. Porque sempre queremos dizer algo a alguém. Eis eu aqui, dizendo algo a alguém. E esperamos, em troca, uma resposta. Qualquer que seja. Mas não somos preparados para sermos ignorados. Não somos instruídos a encarar nosso próprio silêncio, a nos olharmos de cara lavada no espelho do banheiro às 3 da manhã. E principalmente, não somos ensinados a ser autossuficientes.

Que fique claro, de antemão, que não se trata de não contar com ninguém. Não se trata de ser sozinho. Mas sim de, se for o caso, conseguir viver sozinho, em paz. Que seja possível tocar a vida após ser ignorado, chutado, trocado. É assim mesmo, passa no final das contas. E, por mais clichê que seja, a vida sempre traz algo melhor depois. Nada é insubstituível. Nada é maior que a sua paz, que a sua satisfação consigo mesmo. E se alguém está tirando seu sono, sua fome, sua energia, aproveite essa “tiração” de coisas e tire essa pessoa da sua vida. Não vale a pena sofrer. É óbvio que a gente sofre, chora, é inevitável. Mas não se permita passar muito tempo assim. Não é certo olhar para trás e se lembrar somente dos momentos de dor. Não é certo que uma pessoa tenha importância tal na sua vida, que uma ligação não atendida faça com que você perca todo o seu dia. Seu bem estar agradece, e seu coração também.

Então tire o dia pra fazer o que você gosta, pra se conhecer melhor. Tome um banho quente, passe aquela loção cheirosa no corpo, vista aquela roupa leve e que te faz sentir bem, desligue o celular e saia. Permita-se ficar só, ouvindo os sons da cidade, vá pra um lugar remoto, admire a paisagem e contemple o mundo, contemple a sua paz. Olhe para imensidão e se enxergue como só mais um ponto nesse universo gigantesco. Depois de se localizar, enxergue a sua dor como sendo menor do que você e, se você é pequeno perto do mundo, imagina a sua dor. Então você vai ver que nada é tão angustiante assim. Depois levante-se e experimente se sentar em uma mesa de bar, em uma cafeteria, sem ninguém. Pegar o cardápio e poder escolher o que quiser, sem se preocupar com o tempo para analisar as possibilidades. Ninguém vai estar esperando sua escolha. Só depende de você. Com calma, deguste o que pedir. Sinta os sabores. Sem olhar o relógio, sem se preocupar com a hora marcada. Seu compromisso maior tem de ser sempre com você. A paz interior é o bem mais precioso que você pode cultivar. E por mais que o mundo seja cheio de estímulos, às vezes, é preciso desacelerar. Deixe essa bomba de anseios, medos, carências e neuroses que está morando em você explodir de uma vez só. E com o perdão da paráfrase daquela canção do Gil, talvez essa bomba sobre você faça nascer um você de paz.

Nataly Lima

sábado, 12 de abril de 2014

44

Cheguei aos 4.4 em 12.04.2014! Numerologia explica? Sorte? Tenho certeza que sim.... E somente para deixar mais uma vez registrado, hoje me sinto orgulhosa de todas as marcas impressas pelo tempo! Minhas rugas, os pés-de-galinha, cabelos brancos, uma interminável vontade de dormir, dormir e dormir!  Chego consciente de que todas as experiências vividas, as que deram certo e as que deram errado, auxiliaram-me no meu crescimento espiritual. Convencida de que nunca serei como os outros querem que eu seja, não irei agradar a um monte de gente e, nem por isso, precisarei me adequar para ser aceita. Resignada por saber que tenho inimigos, mas não mais poderosos do que os poucos amigos, aqueles verdadeiros, os quais contamos nos dedos de uma mão! Feliz por ter mãe, avô, irmãs, sobrinha, marido e filhos maravilhosos! Um pouco assustada com a mudança de comportamento, aquele comportamento que me permite dizer o que penso a quem eu achar que devo e, se porventura esse alguém não gostar, simplesmente não me fará falta alguma. Liberta do medo, da mudez, da apatia e do acomodamento. Sem lamentos, pois o tempo avisa: é pra frente que se anda. E vamos que vamos! Obrigada, Deus, por tudo!

Tentando fazer um selfie com o Neo, mas não deu muito certo!
ADOÇÃO

Não sei se te contei
mas há algum tempo sou minha
me adquiri num mercado
onde o escambo era da posse pela liberdade
me obtive numa dessas voltas da morte
me acolhi num desses retorno do inferno.
Dei banho, abrigo, roupas, amor enfim
adotei o meu mim
como quem se demarca e crava em si
o mastro da terra à vista
a cheiro, a tato, a trato, a paladar e ouvido.
Não sei se te contei
me recebi à porta da minha casa
abracei, mandei entrar
abracei eu mesma, destranquei a porta
que é pra eu sempre poder voltar.
Dei apenas o céu à sua legítima gaivota
somos a sociedade
e ao mesmo tempo a cota
visita e anfitriã
moram agora num mesmo elemento
juntas se ancoram
na viagem das eras
no novelo do umbigo
no embrião do centro
na cola do tempo.

Elisa Lucinda

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Plantio

Plante flores, rosas, encha seu coração de alegria. Diversifique as cores da sua vida, pare de enxergar tudo em preto e branco! Deixe a beleza das plantas te contagiar, elas são singelas, frágeis, mas tão independentes. Criam-se sozinhas, se autoalimentam.... Tão evoluídos os vegetais! Ao invés de criar expectativas, esperar muito das pessoas, doar-se por aqueles que não te dão a mínima importância, construa uma jardineira, regue uma florzinha em um bule, uma xícara, uma latinha. Mas não crie expectativas com o ser humano. Seja apenas capaz de entender que somos falhos e siga esperançoso, pois a vida é linda...e breve! Um bom fim de semana para você!

Minha Jardineira

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Sonda-Me

Às vezes, tudo o que precisamos é acalmar a alma.

Autoria do pastor Alisson Ambrósio
Ouça Sonda-Me




terça-feira, 8 de abril de 2014

Afago Na Alma

Cartinha de uma aluna que se sentiu comovida após um colega de classe ter causado alguns problemas de ordem disciplinar. Meus alunos são do 6º ano do ensino público. Ainda há esperança...


Hadassa é uma aluna feita de açúcar!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Meu Pedacinho de Chão

Vem aí um mundo encantado, mágico, lúdico, como há muito não víamos em uma teledramaturgia. Benedito Rui Barbosa assina esta obra que será um marco nas novelas das 18 horas. Acredito que vai ser um sucesso!


sábado, 5 de abril de 2014

José Wilker

Roque Santeiro
A morte de José Wilker pegou a todos de surpresa. Espantados, líamos incrédulos nos noticiários que ele teve um infarte fulminante, tirando de cena este grande ator, que até poucos dias estava atuando em Amor à Vida. Wilker - pronuncia-se Vilquer - como muitas vezes tentou deixar claro, embora alguns o chamassem de Uilker, foi um dos maiores talentos das novelas e fez parte da minha geração, aquela que assistia excelentes trabalhos na teledramaturgia. Personagens como o Vadinho, de Dona Flor e seus dois Maridos, um fantasma que caminhava nu pelas ruas de Salvador ao lado de Sônia Braga e Mauro Mendonça... O "Seu Rudrigo", de Final Feliz, par romântico de Natália do Vale, a "Dona Debra". Bons tempos! Quando viveu Tiago, em Transas e Caretas, o nome do personagem virou moda. Era o ano de 1984, me lembro bem. Mas, em 1985, quando encarnou Roque Santeiro, explodiu de vez em talento, simpatia, competência, charme e uma beleza diferenciada. 

Seu Rodrigo
Cresci vendo seus trabalhos e o vi envelhecendo, fazendo papéis com menor destaque, como por exemplo, este último na novela de Walcyr Carrasco, o dr. Herbert. Tão mal aproveitado, relegado a segundo plano, ofuscado por um papel muito aquém de suas capacidades. Mas isso foi só um sopro diante da magnitude de suas interpretações brilhantes, de quem um dia deu vida ao ex-presidente da república, Juscelino Kubitschek, na minissérie homônima. E aquela voz grave, de fala pausada, comentando o Oscar. Como esquecer?



Wilker de Giovanni Improtta, um dos mais engraçados personagens no folhetim Senhora do Destino: felomenal! Suas pérolas, quase que comparadas com as de Félix, ficarão em nossa memória, na memória de quem gosta de uma boa história, com bons atores. Então, José Wilker, "há malas que vem de trem" e o "trem das sete horas" chegou na sua estação. Não me esquecerei do dia em que te vi na Bienal do Livro aqui em Belo Horizonte, há uns quatro anos atrás. Bonito, simpático, gentil. Hoje o Brasil chora a sua morte, mas seu legado será infinito. Não perdemos uma celebridade. Perdemos um homem que nasceu para abrilhantar a arte. Vá em paz, grande José!


José Wilker de Almeida
*20.08.1946 - Juazeiro do Norte, Ceará
*05.04.2014 - Rio de Janeiro


terça-feira, 1 de abril de 2014