segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Por que tantos porquês?

Minha professora primária ensinava com bastante didática para seus pequenos alunos que em todas as perguntas o POR QUE é separado e nas respostas o PORQUE é junto. À medida que vamos avançando nos estudos, percebemos que não existem apenas esses dois porques. Então, já que na oralidade não se separam PORQUES de jeito nenhum, nossos irmãos lusitanos inventaram ou convencionaram o uso de, nada mais nada menos, quatro tipos de PORQUE.

1ª situação: Usa-se o POR QUE separado e sem acento em frases interrogativas, desde que estejam no início delas. EX.: Por que não chove há tempos nesta séquida capital mineira?

2ª situação: Usa-se o PORQUE junto e sem acento nas respostas, justificando o fator questionador e não empregados em fim de frases. EX.: Não chove em Belo Horizonte há três meses porque as montanhas estão bloqueando a passagem das frente frias.

3ª situação: Usa-se POR QUÊ separado e com acento circunflexo (^) toda vez que vier sucedido de um ponto, uma vírgula, uma interrogação, uma exclamação, ponto e vírgula, reticências... Vejamos:  Eu ainda não me convenci desta história de montanha bloquear nuvem, será por quê?

4ª situação: Usa-se o PORQUÊ junto e acentuado quando ele tiver o sentido de "motivo". Normalmente vem precedido de artigo. EX.: Até agora eu não sei o porquê de tanta seca nas alterosas.

Não é difícil, contudo, bastante chato. Aliás, a nossa língua é bastante delicada no que diz respeito à sua escrita. Os linguistas, estudiosos da linguagem, não aceitam o rótulo de certo e errado. Mas vá você fazer um concurso que tenha redação e caia na besteira de registrar erroneamente algumas palavras. Não existirá linguista nenhum para tirar você desta enrascada. Ainda bem que para falar, a gente não separa nem acentua porque nenhum. Ufa!

Se ainda não ficou esclarecido, deixe sua dúvida.

Por Christiane Bianchi