domingo, 2 de maio de 2010

Ninguém Merece


Queria encontrar em algum tratado de psicologia moderna um teorema que me explicasse a senilidade dos torcedores de futebol. Hoje, final do campeonato mineiro (também conhecido por campeonato rural), o Clube Atlético Mineiro foi campeão sobre um time do interior, o Ipatinga. Salve, salve! Mérito dos campeões, parabéns aos torcedores.
Mas já faz umas duas horas que o juiz deu o apito final consagrando o time do Galo campeão mineiro 2010.  E até agora ouço em alto e bom som buzinaços infindáveis, hinos do clube em decibéis de deixar qualquer cristão com o tímpano perfurado.

Muitos vão dizer "Ah, mas você é cruzeirense..." Sim, sou. Mas sou uma torcedora saudável e não um doente, como costumam ser a maioria destes loucos-sem-noção que determinam quem e por quanto tempo devemos ter nossos ouvidos perfurados por buzinas agudíssimas, gritos de guerra que parecem gritos de filme de terror, carros de som tunados ao toque de Clube Atlético Mineiro Galo forte vingador!

Sim. São vingadores. Vingam-se dos seus adversários, os cruzeirenses que não chegaram à final tão previsível anualmente no nosso campeonato rural de futebol.  Vingam-se e fazem-nos engolir seus barulhos ensurdecedores numa alusão nítida e sintomática que se tratam de pessoas com uma doença incurável - o anti-torcedor, aquele que vibra mais com a derrota do outro do que pela vitória do seu time.

Sugiro aos "campeões" que gravem o hino do galo em seus MP10 e ouçam solitários sua música-tema, pelo fone de ouvido. Sugiro também que enfiem suas buzinas em um lugar que só vocês possam senti-las vibrando dentro do seus corações emocionados e doentios.

Enquanto essa ideia não pega, ainda estou a ouvir todos os infernais barulhos dos campeões. Como diz o ditado, "quem nunca comeu melado, quando come se lambuza." Enquanto isso vou aguardando meu time azul-celeste avançar no campeonato Libertadores da América, algo assim, "a nível de" continente. Até lá, vou suportando, eu e todos os outros vizinhos que desejariam dormir um pouco mais cedo neste domingo, mas que já sabem ser isso uma utopia. Só por volta das 3 da madrugada, com sorte, teremos enfim uma noite de gente normal.


Christiane