quarta-feira, 4 de abril de 2012

Nós fomos

Era sexta-feira, 30 de março. Um dia como outro qualquer. Cheguei do trabalho e logo em seguida, por volta das 18 horas,  pegamos um táxi rumo ao terminal-conexão, que fica na av. Álvares Cabral. Destino: São Paulo. Da nossa casa até ao centro gastamos neste dia uns 45 minutos num  percurso que fazemos em 15, tranquilamente. Pegamos o ônibus para Confins. Ao cairmos na av. Afonso Pena o trânsito simplesmente parou. Travou totalmente. Apitos aflitos dos guardas sinalizavam o impedimento da passagem dos veículos. O peito começou a apertar como se estivesse enviando um aviso - não vai dar tempo. Ainda tínhamos que avançar sobre a Via Expressa, Cristiano Machado até chegar na MG-10. Um longo percurso. Em dias normais gastam-se 50 minutos, com sobra. Neste dia, levamos duas horas para chegarmos ao aeroporto Tancredo Neves. A essa altura, muitos já se davam conta de que perderiam o voo. Mas o Humberto estava otimista - "Gente, tenham fé! Vai dar certo!" Pessoas andavam pelo corredor do ônibus sem saber se continuavam nele ou desciam para pegar um táxi. Como se isso fosse adiantar... Todos os que lá estavam perderam seus voos. O relógio marcava 20 horas e 50 minutos quando adentramos loucamente pelo saguão. Corri até o check-in... que estava vazio. Virei-me para a atendente e disse que meu voo era o de 21h06, no que ela me respondeu "Embarque encerrado". Ahn? Mas ainda faltam alguns minutos, a aeronave não decolou, moça! "Sinto muito, embarque encerrado". Moça, por favor, ficamos presos no trânsito, blablablá, blablablá. "Sinto muito, embarque encerrado." Incrédula, olhava para o meu marido calmo e sereno como se tivesse perdido um ônibus que o levaria de volta para casa, e eu,  em vias de atacar o povo da companhia aérea. "Calma, querida, o show é só no domingo." Calma, que calma? Eu não acredito que perdi o voo! Mineiro não perde nem o trem quem dirá o avião! Isso não pode estar acontecendo. Passagens compradas com seis meses de antecedência, hotel reservado, uma semana corrida para dar tudo certo e.... não deu. Choro, lágrimas, aflição, raiva. Se naõ fosse assim, não seria eu! Situação contornada, novos bilhetes de embarque, rumamos de volta pra casa, circulando por vias tranquilas, semáforos verdes e aquela sensação de que o gosto da perda é amargo demais! Minha avó me disse que eu deveria era agradecer por isso ter acontecido, pois vai que não era o nosso dia de sorte. Aquela sabedoria dos idosos, a calma e a certeza de que tudo na nossa vida tem a mão de Deus! Com o trânsito livre no sábado, chegamos cedo ao aeroporto. Tudo pronto para curtir o show tão ansiosamente esperado, mais pelo Humberto do que por mim. Mas ele sabe que estarei sempre ali, ao seu lado, seja para espetáculos ou para os momentos nem sempre bonitos da vida. Esse é o show!


Imagens do estádio do Morumbi e Jardim Oriental, no bairro da Liberdade / SP
1º de abril de 2012