sábado, 4 de maio de 2013

Paul McCartney em Belo Horizonte - Out There


Um sonho. Procuro palavras para adjetivar o show e o mito Paul McCartney. Li poucas reportagens sobre o evento que foi solenemente ignorado pela mídia do eixo Rio-São Paulo. Nenhum site, com exceção do portal Uai, destacou aquele que foi o primeiro espetáculo da turnê mundial "Out There". Um certo rapaz escreveu para o Uol, que Belo Horizonte virou uma beatlelândia! Fez lindas referências a nós, mineiros, e destacou com maestria a paixão que esta terra tem pelo quarteto de Liverpool. Um texto para ser degustado, imprimido e guardado; pois reflete a alma das quase 60 mil pessoas que fizeram parte de um lendário evento musical! 

Desde que ficou acertada a vinda do Beatle a Belo Horizonte, eu e meu marido tivemos a certeza de que não poderíamos perder essa oportunidade. Na hora de comprar os ingressos via internet, varamos madrugada adentro. Aquisição feita, começaram as expectativas! Como eu sou uma pessoa cujo coração bate na boca, já estava vendo a hora em que ele iria pular pra fora. Meu nome deveria ser emoção. Nada comigo funciona na base da racionalidade, sou aceleradamente cardíaca e um evento deste porte me fez passar por altos e baixos no quesito segura-a-sua-onda! Decerto, vieram acompanhadas desta expectativa, crises de angústia, euforia, gastrite e enxaqueca. Nada, porém, que tirasse meu ânimo e minha vontade de superar as querelas- hipocondríacas-psicossomáticas para estar inteira e saudável no dia do show.



Queríamos estar a caráter, como estivemos nas apresentações do U2 e Roger Watters, em São Paulo. Mas não achávamos camisas nem bandanas de Paul, sozinho. Adquirimos então, blusas com estampas dos Beatles, que em nada diminui os paramentos, pelo contrário, só nos faz lembrar que Sir. McCartney é o único que ainda leva milhões de pessoas à loucura, cinquenta anos depois da meteórica carreira de sucesso daqueles rapazes da terra da Rainha. E por falar nisso, Paul McCartney começou o show cinco minutos antes do previsto. Um lorde e sua pontualidade britânica. 

Chegamos ao Mineirão por volta das 19 horas, isso porque fomos de moto. Trânsito travado e nós dois raspando pernas entre carros com vista infinita. Ficamos uns 40 minutos para conseguir entrar no estádio, já quase completamente lotado duas horas antes do início. Quase não achamos lugar para assentarmos. O Mineirão estava incrivelmente lotado, abarrotado, eufórico e nós, perplexos diante de tamanha festa. Ao apagar das luzes houve uma histeria coletiva vista somente em espetáculos que presenciei desta magnitude. Indescritível a sensação de estar tão próxima do maior ídolo vivo da música de todos os tempos. Paul McCartney não é só um ex-Beatle, ele é o cara! Extremamente simpático, simples, carismático, elétrico, versátil e lindo! Um septuagenário belíssimo! Pronto, achei as palavras para descrevê-lo!



Nas duas horas e meia de show, Paul falou português, mineirês, caminhou pelo palco com a bandeira do Brasil, dançou, interagiu com o público como eu nunca havia visto antes, em se tratando de uma lenda. E Paul pegava sua guitarra, depois trocava por seu violão, pelo baixo, ia para o piano, falava com o público, tudo isso sem parar um minuto nem para beber água.  Homenageou sua atual esposa, Nancy e também Linda McCartney, sua companheira que está no Céu; e os amigos da  antiga banda, John e George. Para esse, cantando sua composição "Something" acompanhado de um instrumento parecido com um cavaquinho, mas de nome estranho: ukelele. Emocionante!



De todas as músicas do set list, aquelas que mais empolgaram o público foram os grandes sucessos dos Beatles: Let it be; Hey Jude e Yesterday. Mas muitas outras foram cantadas pelos milhares de fãs ali presentes, ardentes beatlemaníacos. Me impressionou bastante a performance visual em "Live and let die", com explosões de cores e fogos de artifício atrás do palco. Obladi, Oblada; Get Back, And I love her e demais mega-sucessos fizeram daquela noite um momento inesquecível na vida de cada um. E, jamais me esquecerei da frase de Paul, carregada no sotaque, não por isso ininteligível: "Finalmente, Paul veio falar uai!" Obrigada, Paul McCartney, o sonho não acabou!

Christiane Bianchi

Thiago Pererira para uol

Portal Uai