domingo, 6 de outubro de 2013

Dexter - O Fim


Michael C. Hall rindo muito do fim de Dexter

SPOILER

Você é um fã de Dexter? Acompanhou a série e está triste e decepcionado com o final? Pois não fique. Deixa de mimimi porque trata-se apenas de uma obra de ficção e como tal não merece uma ruga da sua preocupação, nem ao menos que apareça seu primeiro cabelo branco. Você queria um documentário sobre um psicopata, com roteiro bem escrito, queria ter encontrado verossimilhança com fatos reais, não é mesmo! Ah, bobagem! Dexter é Hollywood, é business. Os atores, diretores, as franquias e o autor do livro que deu origem à série estão com os bolsos abarrotados de "dólares" enquanto os fãs se revoltam nas redes sociais e fóruns de discussão! Dexter teve o seu devido fim. Nem mais nem menos. O fim possível e até surpreendente após a última e fraquíssima temporada. Aliás, Dexter, no meu entender, acabou na quarta temporada com a morte da Rita. Naquele momento ele deveria ter sido preso e tudo estaria a salvo. Não teríamos uma Debra apaixonada pelo irmão, o casamento de La Guerta e Batista, a decadência física de Quinn e uma filha para Masuka. E o povo fica se digladiando por Deb ter morrido, como se Jennifer Carpenter estivesse muito comovida com isso. Larga a mão, gente! Vamos torcer para o nosso vilão-psicopata made in Brasil - Félix Khoury - que dá mais negócio! Gostando ou não, fato é que, em última análise, sabemos que Dexter e companhia vão deixar saudade! Tive um trabalhão danado para preparar este post, perdi horas preciosas da minha vida printando cenas importantes do derradeiro episódio para registrar aqui o meu parecer. Daqui a alguns anos, quando eu reler tudo isso, vou rir de tanto tempo perdido, tanta discussão vazia sobre um roteiro psicodélico do nosso querido e - por que não dizer - fanfarrão Dexter Morgan!

Oliver Saxon: o segundo Trinnity na vida de Dexter

O maior vilão da oitava e última temporada de Dexter foi ele mesmo. Desde que perdeu Rita para Trinnity, em uma jogada mal feita, na qual teve a chance de matar o assassino e decidiu deixá-lo vivo, Mr. Morgan tentava entender seu dark passenger.  Queria ter uma vida normal, ser alguém comum, casar-se com Hannah e mudar-se com ela e Harisson para a Argentina, onde construiriam um novo começo e tentariam se ver livres dos crimes que haviam cometido. Neste entremeio, teve que lidar com o filho da neurocirurgiã Evelyn Vogel. O rapaz, tão psicopata quanto ele, travou uma briguinha infantil com Dexter para obter a atenção da doutora. Ela, aliás, foi uma chatice só, personagem sem carisma, monocórdica e inexpressiva. Daniel Vogel, ou Oliver Saxon - seu arqui-inimigo, foi "absolvido" da morte por Dexter, no penúltimo episódio. Como Deb decidira voltar para o departamento de polícia, seu irmão tinha a intenção de dar-lhe Saxon de presente, e ela teria a volta triunfal prendendo o homem mais procurado de Miami, na ocasião. Porém, o plano deu errado e um policial do FBI se interpôs na parada e o jogo virou contra Dex e Deb. Saxon matou o agente federal e acertou Deb com um tiro. Uma grande tempestade foi anunciada.


Fuga Frustrada

Enquanto a filha de Harry recebia os primeiros-socorros, a câmera mostrava, em outro plano, Dexter e Harisson no hall do aeroporto. Hannah já os aguardava escondida no toalete, porque Elway (who?) a havia perseguido e tentava impedir seu embarque para a América do Sul. Não entendo como os diretores deixaram escapar a caracterização de Hannah. Quando ela levou o garoto a um hospital para dar pontos em seu queixo, a atendente a reconheceu e avisou à polícia. Porém, ninguém mais a não ser essa recepcionista, teve a mesma ideia e a bela loira transitava sem nenhum disfarce por um aeroporto, onde todos estariam avisados sobre uma possível fuga da mulher mais procurada da Flórida. Achei isso um furo enorme! Com a habilidade do MacGyver, Dexter consegue se livrar do Elway pentelho.  O capitão Matthews liga para Dexter e o avisa sobre o acontecido com Debra. Os planos mudaram fazendo Hannah e Harisson pegarem um ônibus para outra cidade, que não estava na rota do furacão. De lá, os dois embarcariam para Buenos Aires. (Clique nas imagens para ampliá-las).
Despedidas









No Hospital

Dexter e Debra se encontram. Ela está consciente e tem uma conversa comovente como seu brother. Nesta altura, já dava para desconfiar que algo muito sinistro estaria por vir... Quem mandou ser bonzinho, não é, Dexter, e deixar o vilãozinho sem sal vivo para atirar na sua irmã!
















Remember the monsters

Momento flashback. Após visitar Deb no hospital, Dexter rememora o dia em que Harisson nasceu. Ele se lembra do diálogo estabelecido com sua irmã, que o faz pegar o bebê no colo. A partir daí o anti-herói começa a se questionar se daria conta de cuidar de uma criança. A nova tia do pedaço logo se apressa em dizer que não haveria pai melhor para o pequeno, uma vez que Dex cuidou dela quando criança. Neste momento ela o questiona - Você se lembra dos monstros? - Muito oportuna a fala de Deb! A frase soa como - você é um monstro, porém conseguiu me livrar de tantos outros da minha amedrontada imaginação! Não parou por aí: - Elas eram as sombras. - Sim, Deb. Era a sua mente projetando seu triste fim, monstruoso e sombrio. 
















A Vingança tarda, mas...

Revoltado consigo mesmo da tamanha burrice que fizera, Dexter planeja a morte de Saxon. Peraí, vou fazer um parênteses sobre esse cara: tão inexpressivo e desimportante foi o vilão, que tive de olhar no google como ele se chamava. Ponto. Prossigamos. Com a desculpa de fazer um exame de resíduo de pólvora no filhinho da neurocirurgiã, Dex, friamente, como nos velhos e bons tempos, bate um papo reto com o agressor de sua irmã. Após dizer a Saxon que o próprio havia lhe aberto os olhos, tê-lo feito ver que não pode sonhar e ter uma vida normal, Dexter lança um olhar fulminante no bobão e revela: "Vim aqui para te matar com aquela caneta". Duvida? Olha aí...








Depois do maquiavélico plano para matar Saxon ter dado certo e as câmeras de vídeo terem revelado que foi por "legítima defesa", Angel e Quinn dão a entender que Dexter sairia ileso da acusação de assassinato. Até aqui, Hannah e Harisson já haviam embarcada para a Argentina sem nenhum problema, a loira conseguira se livrar de Elway - um nome que deve significar o caminho - e a tempestade estava prestes a causar grandes danos na cidade de Miami.

A Tempestade

A ideia de inserir uma tempestade nos momentos finais do seriado não foi nada original. Os estúdios Disney fazem isso desde 1935, quando lançaram Branca de Neve. Podemos vê-la também em outros clássicos da animação americana, como no Rei Leão, Tarzan e etc., etc., etc. Qual o sentido da chuva no final? Debra já havia falado das sombras. Os monstros eram apenas sombras, ausência de luz. O cenário fica na penumbra, o nome do furacão, não por acaso, é Laura - a mãe biológica de Dexter. Há uma inserção de duas cenas com contraste claro/escuro: quando Dex, do barco, onde tudo está cinza, liga para Hannah, em outra cidade de céu ensolarado. Dexter o monstro, a sombra, a ausência de lucidez. Hannah é o raio de sol, loira, lúcida, capaz de dar ao pequeno Harisson uma vida distante dos perigos que rondam seu perturbado pai. Hannah desponta como a heroína, aquela que salvará a criança das trevas. A tempestade varrerá o vilão da cidade de Miami. A chuva limpa, transforma e torna tudo claro quando ela se vai.

Despedidas









Debra, a última vítima

Podem dizer o que quiser, mas achei muita coragem dos roteiristas, com a anuência do co-produtor Michael C. Hall, o Dexter, darem esse final para Deb. Vamos esquecer que os atores foram casados na vida real, vamos pular a doença de Michael, vamos deletar as quatro últimas temporadas. Esqueçam tudo até aqui. Vamos nos ater à Debra do início, uma detetive que desejava uma promoção no departamento de polícia, onde seu pai tivera uma boa carreira e também onde trabalhava como perito de sangue seu adorado irmão. Aquela moça esguia, com o andar masculinizado, de boca suja - "fock you, Dex" - mas totalmente encantadora! Debra Morgan era a fã número um de Dexter, ela o idolatrava, o amava incondicionalmente, sofreu horrores por ele, descobriu estar apaixonada, quebrou a cabeça tentando gostar de outros caras, matou La Guerta para defendê-lo, foi ao fundo do poço. Todos esperávamos um fim feliz para ela, que fosse com Dexter, com Quinn ou sozinha. Porém, vimos Deb morrer pelas mãos de Dexter. Não, não foi um assassinato frio e cruel. Foi eutanásia. O quadro clínico de Deb piorou depois da cirurgia e ela teria uma vida vegetativa: iria se alimentar e respirar por sondas, não reconheceria ninguém, estaria em estado de demência. A pintura desse diagnóstico não deu alternativa para o "grande irmão", que sempre cuidara da garota amedrontada. Eram as sombras que restariam a Debra. Dexter não iria deixar. Ele sempre a protegera dos monstros. A cena foi dantesca e pitoresca. Ninguém sabe, ninguém viu. Mas Dexter entrou no quarto da irmã, olhou-a fixamente como se estivesse pedindo perdão, disse que a amava e desligou seus aparelhos. 






















Continua

Colocou-a em uma maca, pegou-a no colo, depositou seu corpo encoberto num lençol sobre um banco do seu barco Slice of Life e partiu rumo à tempestade, nos confins do oceano... Deb, diferente das outras vítimas de Dexter, não estava nos sacos plásticos pretos. Estava envolta em um pano branco. Estava envolvida de paz e de luz. Houve muita simbologia neste último episódio. Como já disse anteriormente, muitos contrastes de cores. Dexter acariciou a face morta da irmã antes de lançá-la ao fundo do mar. O mesmo mar que abrigou os restos mortais de suas vítimas, tantas vezes, seus algozes. Agora era diferente. O corpo de Deb estava intacto, ela repousaria ou seria destruída pelo furacão? Mais provável que sim. Uma cena comovente que deixou muitos fãs furiosos. Ferozes e Furiosos.
















O plano perfeito

Estava concluída a primeira parte do plano. Dexter desaparecera com o corpo da sua irmã. Agora, faltava desaparecer consigo mesmo. Não poderia mais colocar em risco a vida daqueles a quem amava. E restavam Harisson e Hannah. Para protegê-los, Dex forjou a própria morte. Se o barco explodiu, se o deixou à deriva para o furacão destruí-lo, nunca saberemos. Nas cenas finais, essas possibilidades ficam implícitas, pois um narrador comunica em inglês e em espanhol o fim da turbulência: "Bom dia, Miami, o furacão Laura passou e tudo voltará ao normal. Não há mais ameaças... Furacão Laura está se dissipando lentamente. A limpeza começou e a cidade volta ao normal." Esta sentença daria uma dissertação. Contudo, não vou me arriscar a fazê-la, pois o post já está gigantesco e me dando um trabalhão! Quero me ver livre dele logo, como quero me ver livre das lembranças deste final macabro de Dexter. O filho de Laura não era mais uma ameaça, sem ele, a cidade estava limpa e voltaria à normalidade. Se é que você me entende, caro leitor. Miami estava livre da escuridão imposta pelo exterminador de gângsters! Deb estava liberta das sombras pela qual estava condenada a viver - a sombra do irmão assassino e a sombra de uma sobrevida inutilizada. O monstro foi pra floresta, foi ser caminhoneiro. Fez um realese do seu irmão Briani, o Ice Truck Killer, o melhor e mais bonito vilão de todo o seriado. Será que Dexter se transformaria no WTK - Wood Truck Killer? Isso também, nunca saberemos. 














Considerações Finais

O vilão da temporada, Saxon, foi muito fraco em relação a Brian Moser - primeira temporada; Trinity, quarta e Trevis, sexta. Foi uma temporada de apelos femininos - Vogel fazendo honras de mãe do Dexter; Hannah ocupando o lugar de Rita. Todas a vezes que Dexter não matou o vilão, ele perdeu, perdeu a esposa e perdeu a irmã. As mulheres de sua vida. E, para não perder Harisson, seu único laço de sangue, armou um plano de morte com muita consciência - ele se despediu do filho pela última vez. Levou Deb parao olho do furacão. Jogou o corpo dela sem nenhum peso, pois sabia que a tempestade a levaria para longe; explodiu seu barco - fatia de vida e foi castigado - não pela morte, como muitos queriam - mas com uma vida vazia. Ficará subentendido para todos os personagens da série que Dexter não suportou a vida vegetativa de Deb e decidiu morrer com ela. A tempestade foi inserida para deixar claro que o corpo de Deb jamais seria encontrado, nem o de Dexter. Psicopatas não cometem suicídio, leia qualquer livro que trate do assunto. Ele seguiu o código de Harry - nunca seja pego. Para os amigos ele poderá ser um herói, por ter matado Saxon ou um covarde, por ter "morrido" com Deb. O caminhoneiro barbudo jamais seria Harisson, como alguns chegaram a cogitar.  Em todas as temporadas foi dito: Dexter não pode viver em dois mundos, não pode ter família, amigos. E ele se isolou. FIM!


Meu nome é Christiane Bianchi e demorei quinze dias para concluir a análise sobre o fim da série Dexter. Obrigada a quem veio e leu até aqui. (Poderá gostar também de Como diria Dexter MorganDexter capítulo final )