sábado, 5 de abril de 2014

José Wilker

Roque Santeiro
A morte de José Wilker pegou a todos de surpresa. Espantados, líamos incrédulos nos noticiários que ele teve um infarte fulminante, tirando de cena este grande ator, que até poucos dias estava atuando em Amor à Vida. Wilker - pronuncia-se Vilquer - como muitas vezes tentou deixar claro, embora alguns o chamassem de Uilker, foi um dos maiores talentos das novelas e fez parte da minha geração, aquela que assistia excelentes trabalhos na teledramaturgia. Personagens como o Vadinho, de Dona Flor e seus dois Maridos, um fantasma que caminhava nu pelas ruas de Salvador ao lado de Sônia Braga e Mauro Mendonça... O "Seu Rudrigo", de Final Feliz, par romântico de Natália do Vale, a "Dona Debra". Bons tempos! Quando viveu Tiago, em Transas e Caretas, o nome do personagem virou moda. Era o ano de 1984, me lembro bem. Mas, em 1985, quando encarnou Roque Santeiro, explodiu de vez em talento, simpatia, competência, charme e uma beleza diferenciada. 

Seu Rodrigo
Cresci vendo seus trabalhos e o vi envelhecendo, fazendo papéis com menor destaque, como por exemplo, este último na novela de Walcyr Carrasco, o dr. Herbert. Tão mal aproveitado, relegado a segundo plano, ofuscado por um papel muito aquém de suas capacidades. Mas isso foi só um sopro diante da magnitude de suas interpretações brilhantes, de quem um dia deu vida ao ex-presidente da república, Juscelino Kubitschek, na minissérie homônima. E aquela voz grave, de fala pausada, comentando o Oscar. Como esquecer?



Wilker de Giovanni Improtta, um dos mais engraçados personagens no folhetim Senhora do Destino: felomenal! Suas pérolas, quase que comparadas com as de Félix, ficarão em nossa memória, na memória de quem gosta de uma boa história, com bons atores. Então, José Wilker, "há malas que vem de trem" e o "trem das sete horas" chegou na sua estação. Não me esquecerei do dia em que te vi na Bienal do Livro aqui em Belo Horizonte, há uns quatro anos atrás. Bonito, simpático, gentil. Hoje o Brasil chora a sua morte, mas seu legado será infinito. Não perdemos uma celebridade. Perdemos um homem que nasceu para abrilhantar a arte. Vá em paz, grande José!


José Wilker de Almeida
*20.08.1946 - Juazeiro do Norte, Ceará
*05.04.2014 - Rio de Janeiro