quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Nossa Língua Portuguesa


Esta nossa língua pátria tão bem difundida e representada por gigantes como Guimarães Rosa, Machado de Assis, Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto e etecétera, etecétera, etecétera... Bem, essa língua pátria, língua mátria a ferro e fogo sendo aprendida e apreendida, me faz sentir como o "passarinho" de Mário Quintana dentro do Grande Sertão Veredas, de Rosa: muito pequenininha.

Sou deliberadamente amante do português ( o idioma ) e sofro com o desinteresse da população em se aperfeiçoar no jeito de escrever e, por que não, no jeito de falar. Já dizia minha mãe que "corrigir os outros é muito feio, filha. Nem todo mundo é formado em Letras..." Tudo bem, mamãe, está certíssima. Mas então não se pode procurar ajuda no dicionário, na gramática, no personal linguistic ( neologismo recém criado por mim) e evitar certas mancadas?

Você é o que você pensa, mas também é aquilo que você diz e escreve. Adoraria ser contratada para prestar assessoria linguística aos jogadores de futebol, cantores sertanejos, roteiristas de telenovela, dentre outras categorias desprovidas do mínimo de conhecimento prévio do que é certo e errado no mundo das letras.

Nesta semana, a revista Veja traz em sua capa o tema - saber escrever pode levar você ao sucesso. O especial vem com vários contornos que variam desde a fala dos candidatos à presidência até aos mais incautos candidatos a empregos. Não tenha vergonha de admitir que não domina bem a língua portuguesa em todos os seus segmentos. Seja humilde e recorra a quem possa ajudá-lo a se comunicar melhor e mais corretamente usando seu idioma. Por exemplo:

QUISER - do verbo QUERER, segunda conjugação, flexionado no modo subjuntivo é amplamente escrito (não se diz escrevido) com Z. Ai, ai, ai... Quiser é com S (de sadia, de saudável). QUIZER definitivamente me diz muito de quem  assim escreve.

EU e MIM - Eu é sujeito de frase e Mim é objeto do verbo. Então: "Pegue um livro pra mim ler", JAMAIS! "Pegue o livro para mim, por favor" , SEMPRE. "Entre EU e ELA não há mais nada", NUNCA! "Entre MIM e ELA não há mais nada", ALL TIME!

GERUNDISMO - Vou estar levando, vou estar trazendo, vou estar verificando, NEVER! Isso é contra a facilidade linguística! Diga simplesmente "vou levar, vou trazer, vou verificar. Ponto. Basta!

PARTICÍPIO - O verbo TRAZER no particípio passado é TRAZIDO e não TRAGO. Por exemplo: Se eu tivesse trazido o casaco não estaria sentindo frio. ESQUEÇA a forma: Se eu tivesse trago o casaco, etc.

HAVER E FAZER - Não vão para o plural nas seguintes condições: Houve muitas situações constrangedoras. ERRADO dizer HOUVERAM muitas situações, você pode trocar por EXISTIRAM muitas situações constrangedoras. Outro erro comum: Hoje fazem três meses que comecei a trabalhar. MENTIRA! Hoje FAZ três meses... O verbo fazer no sentido de tempo corrido permanece no singular!

MEIO DIA E MEIA - O meia é de meia hora passada e não meio dia passado. Meio dia + meia hora. NADA de meio dia e meio.

MEIA E MENAS - SOCORRO!Dizer "meia atrapalhada" significa que a meia está desarranjada no pé. Meio atrapalhada é como dizer mais ou menos estorvada (não é estrovada). MENAS gente, menas pessoas, SENHOR, dai-me luz! MENOS é invariável, assim como todos os advérbios!

GRAMA - "Quero trezentas gramas de presunto"! Ah, bom, então pegue trezentos capins e leve para casa! Grama para tratar de peso é FOREVER no masculino: "quero TREZENTOS gramas de presunto!
Melhorou.

SEJA e  ESTEJA - Nunca SEJE  e ESTEJE! Isso não existe.

EM NÍVEL - Uma das maiores "muletas" da linguagem, é totalmente dispensável. MAS, se for dizer, NUNCA diga A NÍVEL DE e sim EM NÍVEL DE. Encerrando, por hoje, a Veja bateu o martelo sobre uma expressão que sempre me incomodou:

RISCO DE VIDA é a forma correta de dizer sobre o perigo iminente de morrer. Isso porque está subtendida a palavra "perder", risco de perder a vida. Não é preciso dizer RISCO DE MORTE, além de ser semanticamente incorreto, soa mal aos ouvidos. Fora os modismos. Em caso de dúvida, busque no GOOGLE, ou no  CEGALLA, ou no AURÉLIO.

Por Christiane Bianchi