domingo, 21 de novembro de 2010

O Crack do Advogado...E o Advogado do Craque

Este post não é para o Doutor Advogado do caso Bruno. É para qualquer pessoa que tem algum tipo de vício, ou de desvio comportamental. Para tudo tem jeito, é só querer. Vamos lá...


Quem ainda não ouviu falar de Ercio Quaresma, o advogado trapalhão do ex-goleiro Bruno? Típico profissional de porta-de-cadeia, o representante do atleta flamenguista sempre se destacou por suas atitudes e declarações polêmicas. Disse que Eliza Samúdio está viva, disse que o delegado Edson Moreira tentou subornar seu cliente, pedindo 2 milhões de reais para favorecê-lo no processo do desaparecimento e morte da ex-amante do jogador, chamou uma das delegadas que acompanhavam o caso de Paquita, enfim... Um homem visivelmente desequilibrado. Uma figuraça!

Seu comportamento, pouco convencional para um profissional do porte que se exige em um caso desta magnitude, tem uma explicação surpreendente: o advogado é viciado em crack. Evidentemente, as manchetes em todos os portais da internet gerou uma série de comentários piadistas, com direito a vários trocadilhos, dignos de compilação para estudos posteriores. Não se pode afirmar, portanto, que o representante da Justiça usa crack porque é desequilibrado, ou que por ser desequilibrado, faz uso do crack. Triste mesmo é podermos constatar que a droga seja o combustível para o destempero deste senhor, que dorme até roncar durante o depoimento do seu pupilo.

O crack do advogado e o advogado do craque. Duas palavras, dois sentidos. Em Língua Portuguesa, chamamos isso de homônimos homófonos - mesma pronúncia, grafias diferentes. Quando este caso do craque Bruno veio à tona, desmantelando uma gangue que agia na calada das noites quentes de Esmeraldas, todos nós passamos a ver esta história como um dos piores contos de terror dos últimos tempos. Em uma nova linguagem de mídia - um big brother dos horrores. Mentiras, contradições, extorções, sequestro, morte, drogas.

O manual de etiqueta de um bom profissional deve estar pautado numa conduta reta e ilibada. Você não pode defender alguém, por mais culpa que esta pessoa tenha, se você não tiver um passado cristalino. Do contrário, sua tese de defesa cairá por terra. Uma vez eu li:

"Advogado: essencial à Justiça".

Bonito. Mais ou menos como dizer:

" Santo: essencial para o milagre."

Eu acredito em milagres. Sou devota de São Jorge e de Nossa Senhora das Graças. Mas eles são advogados ilibados! Nunca ouvi dizer que fizessem uso de drogas... Já o senhor Ercio Quaresma... Bom, não sou juíza e não estou aqui para julgá-lo. Ele deveria sair do caso (antes que a OAB possa afastá-lo) e se tratar. Mas tem gente que não larga o osso. Prefere ser depreciado em público, servir de chacota para a sociedade. Existem profissionais e profissionais. Em todas as áreas encontramos pessoas excelentes naquilo que fazem, como também temos a infelicidade de toparmos com verdadeiros canalhas, calhordas, pessoas da pior extirpe (leia post sobre a menina Joanna). Esses profissionais funcionam à base do dinheiro. O poder acima de tudo, acima da ética e do profissionalismo. Mercenários, não se dão ao dever de agir com uma conduta reta, digna do tempo e da grana que investiram em sua formação acadêmica. Gente que deveria fazer vestibular para bandido.

Na minha família há pessoas formadas em Direito. Tenho uma prima que está no STF! Concursada. Uma outra prima, Juliana, formou-se recentemente e minha irmã Bruna, daqui a 2 anos, terá a sua graduação concluída nesta área. Tenho certeza de que serão excelentes advogadas. O problema não está no curso, mas em alguns estudantes que insistem galgar os degraus do banditismo, utilizando-se dos diplomas que podem conseguir, através até de conceituadas faculdades. Não existe teste psicotécnico para angariar vestibulandos... Infelizmente!

Espero que o "doutor" Ercio Quaresma possa dar um rumo à sua vida, sumindo da mídia, dos noticiários e do caso do goleiro Bruno, o craque. Desejo que ele possa ter sua dignidade de volta, se ver livre da dependência química. Certa vez, ouvi alguém dizer: "livre-se do crack para depois livrar-se do vício." Frase de impacto, psicologismo barato! Deve constar em qualquer almanaque de psicologia de botequim.  Lembrando apenas que o vício não precisa ser necessariamente em drogas. Há tipos bem piores de vícios. Alguns, intratáveis! Sabe por quê? Porque é uma questão de escolha. Escolher ser do bem, fazer o bem e receber o bem.  Será mesmo que, livrando-se do "crack", pode-se livrar das más escolhas que você faz? Mostre o quanto você pode ser craque e saia desta vida miserável e triste. A fatura costuma vir alta demais para quem muito consome! Consome drogas, consome vidas!

Arrivederci!

Por Christiane B.