terça-feira, 12 de novembro de 2013

Flora, Filipe e Valentina

"Quando as meninas se foram, plantamos as cinzas delas com dois ipês brancos num sítio em Juiz de Fora. Agora não vejo a hora de ver as crianças subindo nessas árvores." 
Marcelo Repetto


A felicidade do casal Cláudia e Marcelo Repetto irradiou e nos brindou a todos com a chegada dos seus trigêmeos Flora, Filipe e Valentina! Sim, a roda da vida girando... Uns partindo, outros chegando! A tragédia que se abateu sobre esses pais deu-lhes uma motivação para reiniciarem, do zero, a formação de uma nova família. Uma família marcada pela dor da perda um filho. No caso deste casal foram duas filhas, Giovana e Gabriela,  12 e 9 anos, soterradas no deslizamento de um morro durante um temporal em Angra dos Reis, no ano de 2010. Uma vez eu li que "Deus não escolhe os capacitados, Ele capacita os escolhidos". E olhando esta história tão comovente, de pessoas marcadas por uma dor imensurável, eu não tenho dúvidas de que Cláudia e Marcelo fazem parte daquele grupo seleto de pessoas que Deus escolhe para nos mostrar o seu poder, a sua glória, a sua misericórdia e a sua benevolência! Sim, é verdade. Ser pai e ser mãe é um dom. Da mesma forma que a fé é um dom. Gerar e cuidar de uma criança requer mais que vontade. Existe um pré-requisito para uma família se consolidar: o amor incondicional daqueles que se uniram a fim de darem sequência à vida. Ser pai e ser mãe não é somente um fator biológico. Qualquer ser humano pode ser pai e mãe. Entretanto, amar os filhos acima de qualquer coisa é para poucos. 


Em um depoimento emocionado, Cláudia, que foi submetida a uma inseminação artificial, declarou: "Minhas filhas se foram no réveillon, que é uma data de muita festa. E a chegada das crianças agora indica que o próximo ano vai ser muito especial. Quando tudo aconteceu, nossa ideia era nos mudar e fugir. Mas fugir de quê? Da vida? Para onde fôssemos, levaríamos nossa bagagem dentro de nós. O quarto das crianças era uma questão muito difícil. Mas conseguimos resolver as coisas vivendo dia após dia — completa Cláudia, hoje aos 46 anos, que para engravidar novamente passou por um aborto em uma gravidez espontânea e três inseminações artificiais. — As meninas sempre pediam um irmãozinho. Agora, por coincidência, vieram duas meninas e um menino.

Marcelo, hoje com 48 anos e transbordando de felicidade, também deixou este depoimento:"Um filho não substitui o outro. Mas eu sabia que aquele espaço ia voltar a ficar cheio de vida. O quarto vazio nunca foi um incômodo, apesar da imensa saudade. Até fizemos um pequeno altar em frente a ele para todos os dias rezar pelas meninas, que nunca vamos esquecer. E, aos poucos fomos conseguindo guardar as coisas e redecorá-lo para receber os bebês, embora a gente até tenha outro quarto que poderia ser deles [...]  Hoje sou uma pessoa diferente. Os trigêmeos nasceram no dia 8, um número que lembra o símbolo do infinito. E esse amor infinito nasceu com as meninas, que ensinaram para a gente que o amor transcende. Quando a gente valoriza o bom, o ruim não aparece. A mensagem que queremos passar é que existe esperança. Que a vida continua."

E que vocês - Cláudia, Marcelo, Flora, Filipe e Valentina possam ser muito felizes!

Lindas demais!
Trechos do post foram tirados de O Globo