domingo, 26 de janeiro de 2014

Hoje é Dia de Maria


Mãe, eu já passei dos 40. Você tem três filhas e três netos. Você já faz parte do grupo da terceira idade, ou como odeia falar Rubem Alves - o grupo da melhor idade! Já se aposentou, não paga ônibus, tem fila preferencial, faz parte do estatuto do idoso. A primeira filha chegou quando você tinha somente 21 anos. Hoje, seu neto mais velho, o Matheus, tem 22! Como o tempo passou, mãe! Lembra-se quando me levava ao Cine Brasil para assistir àqueles filminhos água-com-açúcar? Todos os clássicos da Disney, Os Trapalhões, Marcelino Pão e Vinho e até a história do alferes Tiradentes? Depois a gente ia fazer um lanche na "Torre Eiffel", comer bolo com sorvete e tomar vitamina de frutas. Passava o dia comigo no parque municipal, na casa da tia Honorata, do tio Paulo, viajávamos sozinhas para Cataguases quando seus pais ainda eram vivos. Nossa, quanto tempo já faz isso, não é mãe? Parece que foi ontem mesmo, eu, filha única até os 10 anos. Eu tinha a você e você tinha a mim. Ganhava tantos livrinhos, tantas bonecas da moda. Os livros, Bruna rasgou. As bonecas, ela estragou. Bruna, sua filha do meio. Irmã amada, muito querida. Ela te deu uma neta, a linda e sapeca Laura. Bruna é loira. Nasceu com um belíssimo par de olhos azuis, como os avós. Aí, quando menos a gente esperava, veio a surpresa - aos 42 anos, você teve a Stéfannie. Nome que causou! Causou muita confusão e há controvérsias de quem o escolhera para o tão loiro e maravilhoso bebezinho! Hoje um mulherão, a maior de todas. No alto do seu 1,75 metro, a Teté é a filha que mais se parece fisicamente com você. Tem seus traços delicados, os olhos verdes (embora você não tenha, mamis), uma meninona. Mas quem se parece mesmo com você é o seu neto do meio. Se fosse seu filho, não pareceria tanto. Thales te puxou em quase tudo, mãe: pele branquinha, vasta cabeleira, traços finos, alto e magro como seus sobrinhos italianos...Eu sou mesmo a estranha no ninho! Pois é, mãe. Você construiu uma família. Você nos ensinou valores inestimáveis. Sua vida se baseou na força e na coragem de lutar contra as intemperanças, porque, apesar da vida tê-la presenteado com tantas coisas boas, nós sabemos que nada foi fácil. Ainda é difícil. Mãe, eu te amo muito. E sempre estarei ao seu lado, seja para darmos boas risadas, aquelas de perder o fôlego; seja para enxugar suas lágrimas naqueles dias em que você não entende que no mundo há pessoas que não merecem sequer o seu olhar, a sua atenção, o seu caráter e a sua fé. Mas mãe, Deus é grande, Ele há de ouvir as sua preces, Ele há de recompensá-la por tudo o que você faz de bom para as pessoas. Pela mãe exemplar que é, pela nora e sogra carinhosa e dedicada, pela esposa fiel, por coisas que não podem ser ditas, mas que você sabe e entende. Mãe, esta foto é do nosso passeio  a Búzios, em outubro passado. Eu te chamei de Brigitte Bardot das alterosas! Lembra-se? Linda, você é linda, mãe. Parabéns pelos seus 66 anos de uma vida bem vivida. Com carinho, sua filha

Chris