domingo, 7 de junho de 2009

Olhe a língua!

Muito se fala, muito se escreve. Fala-se errado, escreve-se mais ainda! Na luta diária que é a tarefa de ensinar a língua culta aos alunos da escola onde trabalho, travo um duelo entre o aceitável e o repugnável. É mister admitir que a linguagem coloquial é bastante eloquente e suficiente para que haja uma comunicação clara entre os interlocutores. Contudo, não se pode negar o saber da linguagem formal, ou culta, como preferir, àqueles que vêm das camadas menos favorecidas da população. São crianças egressas de um meio onde pouco se lê e onde a difusão de um linguajar menos elaborado soa aos borbotões. Então, eventuais leitores, vou usar deste espaço que criei para divulgar o que considero de grande importância para haver uma comunicaçao eficiente, clara e correta daquela que é considerada uma das línguas mais difíceis do mundo - nossa língua portuguesa.
Para a maioria das pessoas não existe diferença entre MIM e EU (ambos são pronomes pessoais, um oblíquo e o outro reto, respectivamente). Usa-se indiscriminadamente:
  • Peguei um livro pra MIM ler.
  • Traz um copo d'água pra MIM beber.
  • Não dá pra MIM fazer isso agora.
Aí vem a professora tentando, com certo ar de comédia, dizer aos alunos que mim não faz nada, que nós não somos índios, etc. Um artifício didático informal, para ver se funciona.
Pois bem. Corrigindo:
  • Peguei um livro para EU ler.
  • Traz um copo de água para EU beber.
  • Não dá para EU fazer isso agora.
O pronome EU funciona como sujeito. Ele é um pronome pessoal RETO (direto, preciso, agente).
O pronome MIM funciona como objeto do verbo. É um pronome OBLÍQUO (indireto, paciente).
Antes de verbo no infinitivo NÃO se usa MIM. Observe o uso adequado deste pronome:
  • Pegue um livro pra MIM.
  • Traz um copo de água pra MIM.
  • Fazer isso agora não dá pra MIM.
O mesmo acontece com o pronome EU. Não se deve deixá-lo solto nos finais das frases:
  • Pegue um livro pra EU.
  • Traz um copo de água pra EU.
  • Fazer isso agora não dá pra EU.
Isso me faz lembrar do personagem João Pedro da novela Renascer. "Painho (Antônio Fagundes) não gosta d'EU". (Marcos Palmeira, impagável)