domingo, 20 de fevereiro de 2011

Quando Bater o Desespero

Reportagem transcrita na íntegra

O que fazer depois de uma traição


Do que você seria capaz se fosse traído? Se fosse deixado de lado? Se, pior, sentisse a rejeição batendo à sua porta, ao ser trocado por outro? Até onde iria sua ira? Seria capaz de colocar essa pessoa em apuros? Lançar mão de um processo de mentiras, de histórias falsas, de amor e ódio, por pura vingança?

Contaria tudo para o mundo todo do seu jeito, mesmo que distorcendo a realidade, só para dar o troco? Transformaria a imagem deste(a) – até então um príncipe/princesa –, num demônio? Quanto de energia você empregaria nessa revanche? Quanto do seu tempo e recursos investiria para ver-se satisfeito? Cego(a) de raiva, seria capaz de colocar sua felicidade em jogo só para ser atendido(a) nessa “sede” que, cá para nós, não resolve em nada problema algum?

Tenho um amigo passando exatamente por essa situação. A garota se apaixonou depois de três meses de encontros casuais, e ele, como todo Don Juan, fez “a fila andar”. Resumindo, ela enlouqueceu. E, por consequência, está fazendo um estrago razoável na vida dele…

Ocupados

Coincidências à parte, esse tipo de atitude não ajuda em nada, não é mesmo? Primeiro, porque não há mentira que se sustente todo o tempo para todo mundo. Depois, porque quando empregamos a nossa vida, que é sagrada, na vingança, deixamos de viver o nosso sonho, de experimentar outras oportunidades, olhar para outras possibilidades. Estamos muito ocupados em não caminhar…

Além disso, essa dor não tem muito a ver com amor. Quem ama liberta. Quem ama quer ver o outro feliz seja como for. Quem pode amar e ser amado é aquele que já encontrou o amor dentro de si mesmo. Está bem, seguro, com a auto-estima equilibrada. Não precisa se provar, não precisa de provas de amor, não precisa de nada para se fazer compreendido. Aceita, confia e agradece. Entende que o sonho pode sempre ser sonhado.

Afinal, amor é algo que trazemos dentro. É também uma escolha de vida e de relacionamento. E, como toda escolha, não é para todos. É para os que despertaram internamente esse sentimento e, que, por isso, renovam seus votos para continuar a seguir no aprendizado.

Amam a si, ao outro, a vida, o belo, amam a natureza e a tudo que os toca. São generosos, estão prontos para ouvir, falar, dar e receber. E, nesse sentido, vale sempre reforçar, é irracional pensar que podemos interferir na escolha do outro, fazê-lo mudar de idéia se assim não quiser.

Livres

Não há – verdadeiramente – nada que possa prender um outro a nós… E esse também não deveria ser o objetivo da nossa vida. Somos mais, podemos mais, o amor, o outro, a relação podem e devem ser incluídos – mas é só!

O caminhar, o sonhar, o aprender depende do nosso querer, do que precisamos para evoluir e amadurecer. E, nesse contexto, o outro pode ou não caminhar conosco – e não há nada que possamos fazer para que escolha diferente.

Amar é, por si, um sentimento de liberdade que contagia a tudo e a todos que estão à volta. Quando olhar um casal feliz, observe, há harmonia, há paz, há também guerra – mas acima de tudo, a decisão de caminharem juntos.

E, como já estava escrito no livro dos livros, “o amor é o começo, o meio e o fim… ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine… porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido…”

Por fim, não há amor sem solidariedade, sem compaixão, sem empatia. Não há amor se não soubermos exercitar o ser…

Qual a sua história de amor? Você conseguiu superar a vontade de se vingar? Conseguiu trazer luz e energia para o seu dia a dia? Lembre-se: é só isto que conta. Para nós e para o outro, só o bem!

Escolhas, sempre escolhas.

Por Sandra Maia