sexta-feira, 8 de abril de 2011

Barbárie

Perplexidade. Talvez, essa seja a única palavra capaz de definir o sentimento de uma nação em choque com o massacre dos estudantes, no Rio de Janeiro. O mau tem nome e sobrenome. Também tem um rosto e uma história. Os adolescentes entrarão na triste estatística de pessoas mortas por mãos de psicopatas. Há algum tempo, eu já postei aqui no blog mensagens alertando sobre o perigo iminente que cerca as instiuições de ensino. Eu já fui vítima de um aluno que, ensandecido, me agrediu fisica e moralmente perante os olhares assustados dos seus colegas e de algumas professoras. Nada aconteceu com este garoto, nada! A punição foi maior para mim, que adoeci e perdi muito do encanto que a docência em mim exercia. Aqui no Brasil, é costume passar a mão na cabeça de delinquentes, enquanto as vítimas são emocionalmente massacradas em suas vidas. Quando um ato de violência, como o que aconteceu comigo, sai dos limites da escola, aí entram o Conselho Tutelar, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Juizado de Menores Infratores, uma leva de gente para defender o agressor e jogar a culpa no agredido. Sim, é fato. Passei por isso.

Fico imaginando que a falta de punição a este tipo de estudante conduz ao que aconteceu no Rio. Uma carnificina promovida por um ex-aluno não é algo comum no nosso país. Mas pessoas desajustadas como o franco-atirador há aos montes por aí, escondidas atrás dos muros dos colégios, protegidos por leis absurdas! Evidente que este homem já havia deixado pistas do seu comportamento doentio. Será que, lá atrás, quando ainda estudava no E.M.Tasso da Silveira, alguém já teria sido vítima da sua psicose, maldade, insensatez? Será que alguém tentou alertar a família ou simplesmente ignoraram mais um "aluno" que sofre bullying? Um tímido que só quis se defender? Agora é tarde.

No fim de 2010 um universitário matou a facadas seu professor, aqui em Belo Horizonte, por discordar das notas dadas a ele pelo seu mestre. É assim mesmo que acontece. Hoje, mata-se um professor. Amanhã, serão dezenas de alunos... E quem vai pagar por isso? As pobres das famílias destruídas pela dor da perda de um filho? Os colegas que sobreviveram e ficarão para sempre marcados pela trágica lembrança daquela quinta sangrenta? Os professores, cada vez mais amedrontados e acuados, sem chances de defesa? A sociedade como um todo paga por esta conta. A fatura é alta. Nada terá o poder de apagar de nossas mentes este triste fato ocorrido em 7 de abril de 2011. Barbárie.