segunda-feira, 4 de abril de 2011

Folhas Secas



Gosto do outono. Acho que nele, o céu fica mais azul, os dias, mais claros. Me agrada ter nascido no outono. Em abril, o friozinho já querendo chegar neste vale das alterosas, a paisagem ressequida pela escassez de chuva, a noite que chega mais cedo. Sou da noite, pertenço a ela. A noite nos faz deparar com a ausência de luz e meu olhar se fixa no firmamento. Nunca tentei contar estrelas, apenas fico a admirá-las... Também a lua, principalmente a cheia, me faz imaginar o quão misterioso é o universo. Gosto do silêncio que a noite traz, do cessar barulhento dos automóveis, das ruas desertas que consigo ver aqui do sétimo andar onde moro. Os poetas simbolizam o amadurecimento pessoal com a estação do outono. E eu que já me encontro no outono da vida, sei que eles estão certos. Amadurecimento, confiança, determinação. Substantivos que só se alcançam com o passar dos anos, com as experiências frustradas, com o choque de realidade da qual somos arrebatados diariamente, na lucidez de enxergar o outro como um ser falho, frágil, a nos ensinar que nem tudo são flores, a vida não é uma eterna primavera. Outono... ah, que bom que você chegou!...