sábado, 23 de março de 2013

Bodas da Lu



Hoje é um dia muito especial para os meus familiares. Nesta data, minha prima-irmã Luciana entrou para o hall das mulheres casadas. Se eu pudesse dizer a ela algo de muito relevante sobre casamento - eu que farei bodas de prata em junho -, diria: 

O casamento pode ser um lindo soneto de Vinícius de Moraes, como também pode se transformar em uma tragédia grega ou em uma peça dramática shakespeariana.  O tom da melodia que o maestro rege a orquestra, na qual os noivos são os únicos músicos, tem que ser suave para não explodir os ouvidos. Em alguns momentos, violinos e violoncelos, flautas doces, piano clássico fazer-se-ão necessários para embalar os momentos de calmaria. Mas a vida de casado é às avessas - não pode ser Beethoven todos os dias. Em alguns, há de ser uma ópera de Giuseppe Verdi entoada por um barítono de primeira linha; ou, quem sabe, os tambores de percussões do Olodum, descrevendo as batidas fortes dos corações apaixonados. Enfim, casamento é uma arte. Abstrata, concreta, antiga ou contemporânea, vai exigir dos dois muito cuidado, parceria, parcimônia, paridade... Quem sabe, o verbo casar poderia estar no índice de um livro gramatical? Sujeitos ocultos, indeterminados; predicados simples e compostos; adjetivos amorosos ou tenebrosos; um período com frases coordenadas e subordinadas; metáforas, metonímias, livros de romance, análises literárias.... Resumindo, minha cara Luciana, seja uma grande mulher para o seu marido. Mas lembre-se, não estamos mais na idade de acreditar nos contos dos Grimm - príncipes encantados não existem. E fique atenta às bruxas que sempre rondam os castelos dos nossos sonhos. No mais, felicidades!