quarta-feira, 9 de julho de 2014

MALÉVOLA


"Well, Well" ! Duas palavras que definem Angelina Jolie na sua majestosa interpretação em Malévola  - Maleficent - uma produção primorosa dos estúdios Disney! Em sua entrada triunfante no castelo do rei Estêvão durante o batizado da pequena Aurora, a ex-fada do mundo dos Moors, mostra-nos a que veio. Linda, poderosa, deslumbrante e convincente, Jolie nos apresente sua humanizada vilã, que na verdade, nunca fora, de fato, vilã.

Durante muitos anos, dois reinos vizinhos conviveram pacificamente. O reino dos humanos e o reino dos seres sobrenaturais, onde a beleza, a harmonia e a devoção à natureza faziam dos Moors um lugar de encantamento. Do outro lado, a ganância, a luta pelo poder e o desejo de se apoderar das riquezas encontrada em Moors predominava entre seus habitantes. A bela fada vivia em total entrosamento com o seu mundo e com tudo o que o cercava. Até que um dia, um ganancioso garoto invadiu os limites e entrou no reino fantástico para roubar uma pedra preciosa. Malévola, a fada boa, o convencera a deixar de lado essa ambição.


Mas no reino dos humanos os sentimentos não eram tão puros e Estêvão cresceu desejoso de se tornar o rei, mesmo que para isso, tivesse que trair a sua amiga e enamorada fada Malévola. Eis que, a partir dessa inversão moral, o filme nos surpreende ao nos mostrar o outro lado da história da então obscura e malvada rainha do desenho animado da Disney.

Muitos autores literatos já afirmavam que as princesas são tolas e sem graça. E eles não estavam errados. A fofíssima Vivienne Jolie Pitt faz o papel de Aurora criança. A irmã de Dakota Fanning, Elle, incorpora a princesa na sua adolescência. Atua como toda princesa deve atuar - linda e ingênua. O príncipe Filipe é aquele personagem totalmente descartável neste filme. Já o corvo de Malévola, que se metamorfoseava em outros animais, até mesmo em um lindo humano servo da rainha, é mais significativo do que o tonto do Filipe.


Mesmo não endossando esse viés da maldade pela maldade, mas didaticamente ensinando que para toda ação há uma reação, a história apresentada neste filme, justifica o porquê de Malévola ter se tornado a temida rainha. Traída por seu amor e machucada em seu corpo, a jovem se detém numa luta interna entre o bem e mal. Disposta a vingar-se do homem que lhe tirou sua essência, ela acredita que atingirá Estêvão através do que ele tinha de mais precioso - sua filha recém-nascida.

E daí em diante, vemos uma história  particularmente envolvente e emocionante, entre um ser abandonado e e enclausurado nas trevas que ele mesmo criou e a cilada em que caíra ao se apaixonar pela pequena princesa. Mesmo não sendo um roteiro inesperado e inovador, Malévola nos encanta pela beleza de sua personagem magnificamente incorporada por Angelina, pelo cenário impecável criado pelos estúdios Disney e pela dualidade dos sentimentos - amor e ódio; vingança e perdão; companhia e solidão; poder e morte... Fica-nos a lição de que ninguém é totalmente bom e nem totalmente mau. Todavia, um grande clichê não foi quebrado - a beleza ainda abre muitas portas... Well, Well !!!