domingo, 27 de março de 2011

Big Brother Brasil 11

Não se fala em outra coisa. Uns camuflam, desdenhando o programa; outros, assumem que gostam. Indiferentes ou não, fato é que o longevo programa que estreia a programação anual da rede Globo está na boca do povo e, também, na sua reta final. Há alguns dias, postei uma mensagem na qual defendia a vitória da candidata Maria. E olha que ela está bem próxima de ser finalista. Todos os portais da internet, assim como as redes sociais, debatem o assunto, sejam para criticar como para apoiar. O BBB não é unânime entre os telescpetadores e, muitos deles, desligam a telinha ou mudam de emissora tão logo ele comece. Há blogs especializados em comentar o programa de Boninho e Pedro Bial, como o Te Dou um Dado?, Tevescopio, Scully no BBB, etc.

Já foi o tempo em que o big brother acirrava os ânimos da galera e batia recordes de audiência e de votação. Atualmente, com o formato já bem desgastado e resultados previsíveis, vêm tornando inviável a réplica de mais uma edição. Porém, já foi anunciado que as inscrições para o próximo reality terão início em abril. Ou seja, enfraquecido e capengando, rola muita grana, muita mesmo, no BBB. Como eu não sou colunista e não preciso entoar a voz de nenhum patrão, falo com liberdade sobre as minhas impressões acerca do big brother. Fico intrigada pelo fato de mulheres nunca ganharem o programa. As duas que ganharam, até hoje, foram oriundas de sorteio e representavam a camada mais pobre da população, um feito apelativo que fez do programa um meio de assistencialismo social, deixando de cumprir seu objetivo principal, que é o de escolher o melhor jogador.

Alguns participantes conseguiram se manter na mídia por seus próprios méritos. A iniciante foi Sabrina Sato. Acho que muitos nem associam mais a imagem dela com a de um ex-bbb. Sabrina, com seu jeito peculiar, consquistou um público cativo e ainda é notícia, vários anos após terminar a sua edição, que foi ao ar em 2003, mesmo não tendo sido a vencedora. Outra que vem mostrando competância é Juliana Alves que, recentemente, participou da novela Titit no papel da fogosa e manipuladora Clotilde. A moça é boa de serviço. Tem timing e talento. Já a vice-campeã do BBB 5, Grazi Massafera, ainda não convenceu como atriz. O seu melhor papel foi a de um robô na horrorosa novela Tempos Modernos. Nesta, Grazi não precisava se esforçar para representar a personagem de si mesma. Jean Willys, que agora é deputado federal, nem aceita mais participar de programas que falem sobre o big brother, pois a alcunha de ex-bbb muito o incomoda. Tadinho, né.

Hoje à noite saberemos quem serão os outros dois finalistas, uma vez que Daniel já conquistou uma das vagas. Infelizmente, acho que Daniel sempre foi favorecido nas edições. Na prova da cola super bonder, ele puxou o cordão antes da hora. Deveria, portanto, ter sido desclassificado, mas contou com a ajudinha da produção e levou a melhor. Via de regra, eles não mostraram momentos de pura grosseria do candidato que tem por hábito chamar suas colegas de confinamento de putas e mandá-las tomar naquele lugar. Além disso, bebe até cair, trepa no coqueiro cenográfico, fazendo as vezes de Kleber Bambam com sua Eugênia de Sucata. Daniel é apelativo e, embora debochado e engraçado, sua condição sexual não seria motivo para elegê-lo o melhor participante desta edição. Lembro que, na semana passada, Maria votou em Wesley, seu affair, para poupar Daniel do paredão. Mas o cara nem se deu conta da amizade sincera de Maria e agora anda falando mal dela para Diana, outra que nesta reta final deixou escapar sua excessiva arrogância, característica que conseguiu camuflar por um bom tempo.

Acho que o público ainda pensa da forma mais machista possível na hora de eleger o campeão. As mulheres poderão se dar bem pousando nuas, enquanto a maioria dos homens, principalmente se forem pobres e feios, não teriam chances "aqui fora" de amealhar o disputado milhão e meio de reais. É uma pena que sempre tenha sido assim. A continuar essa filosofia, Maria não terá chances contra Daniel. Até mesmo o insosso Wesley tem mais chance de levar o prêmio do que ela. As alegações são as mais variadas e estapafúrdias! "Ele tem caráter", dizem uns; "é um cara decente", conclamam outros. Mas, então me digam: o Big  Brother Brasil tem como objetivo principal escolher o mais santinho, o mais pobrezinho, o que faz parte das minorias - o gay, por exemplo -, ou o BBB elege aquele/a que foi mais ético e menos hipócrita?

Ah, Maria! Sei que nunca irá ler o que escrevi, mas torço muito pela sua vitória. Torço pelo fim do machismo imperialista, torço pela mulher que não teve vergonha de mostrar aquilo que é e que, além de tudo, ter demonstrado amizade e respeito ao longo desses infindáveis dias de confinamento, ter sido alegre, ingênua, atrevida, assanhada, mas, sobretudo, humana. Você gosta de gente, abraça e beija pessoas e não finge demosntrar seus sentimentos através de um vegetal! Sei que suas chances são poucas, porém, só de você ter chegado até aqui já te faz uma grande vencedora. Um milhão e meio não será nada perto do que você poderá ganhar no mundo real, seja pousando nua, fazendo filme pornô ou o que você quiser fazer, a vida é sua. E, quem sabe, o prêmio também?

"Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta.

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana, sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria."