quarta-feira, 30 de março de 2011

Maria, Maria!

Muito alegre por Maria! Há quem diga que big brother é programa chinfrim, de gente desocupada, desinformada e alienada. Mas Pedro Bial discorreu muitíssimo bem sobre este tipo de preconceito, sobre os rótulos. Chinfrim também poderiam ser os campeonatos regionais e brasileiros de futebol; ou Datena sensacionalizando às 6 da tarde, tanto faz. Nenhum desses programas faz enobrecer a alma de alguém. Muito menos o BBB. Só que preciso concordar com Bial quando ele diz que o Big Brother Brasil traz à tona discussões importantes, como a homo e a heterofobia, autoestima, misogenia, etc.

Ontem, em mais um de seus discursos alucinógenos, Pedro Bial conseguiu trasmitir com maior nitidez o sentimento das pessoas que elegeram Maria a primeira mulher a ganhar o big brother, sem que para isso, precisasse da alcunha de ser Maria, a pobre, não desmerecendo as outras duas vencedoras. Desde o início notei em Maria um diferencial. Primeiro, sua voz fanhosa soava mal em meus ouvidos; depois, chamou-me a atenção os comentários feitos pela transsexual Ariadna, que levantou o véu do passado de Maria; em seguida, observei a pressão pela qual ela passou ao ver Mau Mau voltando para a casa, quando já engatava um romance com o educadíssimo Wesley. Não deve ter sido fácil. Ainda bem que Maria não tinha noção dos comentários acerca de sua conduta pré BBB. Ela não se intimidou, insistiu com Maurício, que a desprezava achando estar fazendo bonito para o público em não namorar uma "garota de programa", conforme lhe confidenciara, sem provas, Ariadna na casa de vidro.

Maria ainda teve de suportar as brincadeiras maldosas dos seus colegas de confinamento, que a consideravam burra. "Quem é burro mesmo?", indagou Bial. Criaram o verbo mariar, para indicá-la como a sonsa, a burrinha, a mulher gostosa sem cérebro. Diana e o seu excesso de confiança foi soberba e arrogante. Na reta final desdenhava de Maria, zombava dela juntamente com Daniel, outro que se perdeu perto da pole position,  já se achando dono do prêmio. Nadou, nadou e morreu na praia. No karaokê de sábado, ele saiu falando irritado que seria a última festa a passar com "aquela puta, rapariga". Pois é, Daniel, a gostosona levou. E você? Derrota. E Diana? Derrota. E Mau Mau? Derrota.


O prêmio de Maria em nada vai mudar a minha vida. Mas essa vitória, para mim, significa a vitória sobre o preconceito contra as mulheres. É a borracha passada sobre rótulos e termos pejorativos - mulher bonita não precisa ganhar BBB, terá mais chances na Playboy. Como se big brother fosse vestibular para sair em capa de revista. Evidente que elas entram pensando nisso, mas não é uma condição sine qua non. Sabe, fiquei feliz por Maria. Gostei do discurso de Pedro Bial, que citou um conto de Guimarães Rosa entitulado Substância. Gostei quando ele perguntou "Quem é burro mesmo"? e falou sobre a "inveja". Notei que o apresentador estava nervoso em seu falar bonito e muitas vezes ininteligível. Parecia que por dentro ele aplaudia e vibrava pela vitória de Maria. Senti firmeza em suas colocações sobre os gregos fisosofando nas ágoras. Ele deu um tapa com luva de pelica em muita gente. Fim de jogo. Início das realizações de sonhos sonhados com tanta sinceridade, vivenciados em sua plenitude, coroados por seus méritos. Parabéns, Maria! Meus votos foram para você.