terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Neo e Mais Uma História




Na maioria dos dias de nossas vidas, podemos escolher o que vamos fazer. Porém, há outros em que você é compelida a aceitar uma escolha - a de não ter escolha. E foi o que aconteceu na manhã deste dia 15 de janeiro (esse janeiro promete!)... Ao levar o Neo para passear, fomos até o pet shop para comprar ração. Logo na entrada da loja, vi em uma caixa de papelão, totalmente abandonada e tremendo de frio, uma cachorrinha com luminosos olhos verdes. Sim, verdes. Pasmem! Minha reação inicial foi a de indignação e tristeza. Fiquei arrasada e notei que, pelo andar da carruagem, ela não teria muito tempo de vida, mesmo estando à frente de uma clínica veterinária, ignorada pelos funcionários que dizem já estar cansados de verem essa cena, como se o pet shop fosse um depósito de cães rejeitados. Comprei a ração e continuamos, eu e Neo, a passear pelas ruas do bairro numa manhã friazinha. Cheguei em casa e contei para a minha ajudante, Maria Lúcia, o que eu havia visto. Ela deu um sobressalto e soltou - "ah, não acredito. Vou lá." Não é a primeira vez que Maria Lúcia, ou Lúcia para nós, fez um gesto tão nobre: recolher um cão abandonado na rua. Quando ela chegou para trabalhar com a minha família, o Thales tinha apenas 27 dias E já naquela época ela havia recolhido sua primeira cachorrinha, a Téia. Lúcia me ajudou a criar meus filhos e está conosco há quase 16 anos. Ela é uma dessas pessoas que a vida te dá a oportunidade de ter como presente. Simples e de temperamento forte, a moça que chegou tão jovem a BH para tentar uma vida melhor, conseguiu se estabilizar, casou, tem uma filha de 10, menina que passou os dois primeiros anos em minha casa, até o dia em que ficou muito grande para ser carregada diariamente de Betim para Belo Horizonte. Maria Lúcia, Maria Luz... Eu não podia escolher ficar com a cadelinha, que recebeu o nome de Brisa. Meu espaço físico é bastante delimitado e mais um cachorro em meu apartamento poderia levar os condôminos a uma advertência desnecessária. O Neo vale por quatro, com certeza. Eu escolhi não escolher ficar com Brisa. Mas Lúcia estava aqui, no dia certo e na hora exata. Uma terça-feira, justo no dia em que ela vem aqui pra casa. Parece que estava determinado - Brisa esperava por Lúcia. Lúcia encontrou Brisa. E essa história vai ficar para sempre em nossa memória. Há dias em que a vida é boa!