terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Um Mês

Dizem que os primeiros dias são os mais difíceis. Hoje faz um mês que ela não está mais entre nós.  Ontem estive em sua casinha, sua casinha pequenina onde "até as panelas ficaram tristes", conforme disse meu avô. As panelas, as paredes, as plantinhas... O pé de caqui abarrotado de frutas verdes, o pé de limão que morreu. Cada canto da casa, cada cômodo vazio nos enche de lembranças de um tempo maravilhoso. Tempo esse que não voltará. Jamais. Saudade, muita saudade!



A morte não é nada. 
Eu somente passei 
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, 
eu continuarei sendo.

Me deem o nome 
que vocês sempre me deram, 
falem comigo 
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo 
no mundo das criaturas, 
eu estou vivendo 
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene 
ou triste, continuem a rir 
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi, 
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo 
o que ela sempre significou, 
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora 
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora 
de suas vistas?

Eu não estou longe, 
apenas estou 
do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.

Santo Agostinho