sábado, 26 de janeiro de 2013

Maria das Graças

Mamãe aos 18 - no auge dos Anos 60
Minha mãe Maria. A única pessoa que a chama desse jeito é o Humberto e somente ele - "Dona Maria". Eu me refiro a ela por mamis, seus irmãos, irmãs e sobrinhos: Graça (tia Graça); para a família do meu pai e amigos, simplesmente Gracinha. Foi assim que cresci ouvindo seu nome - "Ah, você é filha da Gracinha?!". Por que não Maria? Por que minha mãe tem outra irmã chamada Maria. Somente Maria. Maria Bianchi. Qual a razão da minha avó repetir os nomes das filhas? Porque mamãe nasceu quando vovó já tinha passado dos 40 e, segundo relato de parentes, por devoção à Nossa Senhora, recebeu o nome de Maria das Graças. Naquele época, ter filho acima dos 40 era considerado gravidez de risco e vovó queria que sua menina nascesse perfeita. E ela nasceu linda, perfeita e plena de graça, no dia 26 de janeiro de 1948, em Laranjal, zona da mata mineira. Pai italiano e mãe portuguesa, filha caçula de uma família de oito: Conceição, Maria, Tereza, Pedro, Honorata ( significa Honrada, em italiano), Paulo e João. Mamãe está completando hoje 65 anos e a mais velha já conta 85. Infelizmente, tia Tereza já não está mais entre nós. Uma coisa interessante e até engraçada é quando eles se reúnem - cara de um, focinho do outro. Mesmo tom de pele, formato de nariz, rostos delicados, cabelos volumosos. A metade nasceu de olhos azuis, a outra metade nem de olhos verdes saiu. Meu avô Bianchi tinha olhos de um azul anil. O meu avô Antônio também tem lindos olhos azuis. Mamãe não tem olhos claros (e nem eu), mas minhas irmãs têm. Puxaram à família dela. Meu sangue tem predominância teotônica, embora, às vezes, algumas pessoas dizem que eu me pareço muito com ela. Não sei, até hoje não sei com quem me pareço. A mesma coisa acho dos meus filhos. Não sei com quem eles se parecem. Cada um fala uma coisa... A genética é um fator muito interessante na vida da gente. Vamos nos formando, nos formatando segundo o nosso DNA. Mamãe que puxou aos seus, eu que saí a ela e meu pai, meus filhos a mim e ao meu marido... E assim damos sequência de nós mesmos. Sinto um imenso orgulho de ter a mãe que eu tenho. Peça rara, ora dura como diamante, ora delicada e frágil como um cristal. Ela faz a diferença na vida das pessoas, deixa a sua marca e sua "estranha mania de ter fé na vida." 


"Maria Maria é um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta. Uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta."