quarta-feira, 26 de junho de 2013

Acorda, Brasil!


"O gigante acordou". E aqui pelas bandas de Minas Gerais ele acordou brabo! Enquanto o gigante dormia em berço esplêndido desde que foi anunciada a Copa do Mundo no Brasil para 2014, estádios foram construídos com gastos bilionários. Segundo o que disse a presidente Dilma Rousseff, o dinheiro veio da iniciativa privada, porém, há controvérsias. Revoltados com o descaso do poder público com a saúde, a segurança, a educação, o transporte e demais serviços, o povo brasileiro resolveu dar o grito, que não ficou restrito às margens do rio Ipiranga! Foi um grito estrondoso que ecoou pelos quatro cantos do Brasil! A juventude paulistana rebelou-se contra o aumento das tarifas de ônibus e conclamou o povo para ir às ruas - vem pra rua, vem -  num brado retumbante catalisador! O MPL (Movimento Passe Livre) lutou, a princípio, pelos 20 centavos que oneraria os estudantes e trabalhadores da maior capital do país. Mas o movimento ganhou contornos inimagináveis e atingiu uma parcela enorme da população sedenta de justiça! Essa população não quer só a revogação do aumento das passagens, ela quer melhoria em todos os setores da sociedade, quer a moralização dos políticos brasileiros! Os insurgentes ganharam adeptos, que dia após dia, começaram a paralisar as ruas, avenidas e rodovias de todo o Brasil! Caracterizados com a máscara do filme V de Vingança, os revolucionários da era digital conseguiram uma façanha: fazer com que o brasileiro, por ora, não seja um povo apaixonado pelo futebol. 


Muito conveniente este movimento se dar na Copa das Confederações, evento mundial que atrai olhares de todas as partes do planeta. Uma vitrine e tanto! Excelente oportunidade de mostrar ao mundo o que o Brasil não quer que a Copa de 2014 seja aqui. Oportunidade também para pedir o impeachment da presidente Dilma, calada por dias, vendo no que tudo isso ia dar. Tempo suficiente para pensar e fazer um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, em um discurso polêmico que acirrou ainda mais o ânimo da população com sangue nos olhos, pronta para ver a "rainha de copas" com a cabeça cortada! Dentre muitas propostas, ela disse que importaria médicos para ocupar vagas no SUS. Pronto. Era a munição necessária para a oposição alimentar o ódio à líder desta nação. Acredito que ela se referia às vagas que nunca são ocupadas por médicos brasileiros indispostos a trabalhar nos quinhões do Brasil, embora, acredito eu também, que se as condições de trabalho fossem favoráveis e o salário fosse digno, não faltariam candidatos para ocuparem a vacância que hoje existe em vários postos de saúde, do Oiapoque ao Chuí. Todavia, contrariando às expectativas, e com a infiltração de bandidos e baderneiros, os estádios não ficaram esvaziados durante os jogos da seleção. Mesmo depois de vários prefeitos reduzirem os preços das passagens, depois do congresso derrubar o Projeto de Emenda Constitucional - a PEC 37 - que limitava o poder de investigação do Ministério Público, depois do governo federal propor um plebiscito para reformas políticas, manifestantes continuam os protestos por todo o país, ao mesmo tempo em que os estádios continuam lotados. 
Estamos, então, diante de uma dialética. Parte do povo quer mudança, mas não quer ir às ruas. Diante dos seus monitores, postam incansavelmente mensagens de protestos e de indignação pelas redes sociais, principalmente pelo facebook. O número de compartilhamentos deve ter sido recorde, pois o meu feed de notícias só dá mensagens desta natureza. Ora postam coisas sérias, ora piadinhas sobre Ronaldo, Pelé, Neymar e Fifa. Alguns não sabem que os três poderes são interdependentes e querem que a presidente "demita" Renan Calheiros, ato que caberia ao poder legislativo, e não ao executivo. Querem Joaquim Barbosa na presidência, querem o impeachment da Dilma ou a sua renúncia; postam, postam, curtem e compartilham muitas vezes sem se darem conta do conteúdo que estão postando. Sem ao menos ter o cuidado de verificar as fontes das citações, é um oba-oba que parece não ter fim. Enquanto isso, outra parte se mobiliza e vai pra cima, interdita ruas, avenidas, praças, carregam cartazes com palavras de ordem, cantam o hino nacional e rumam em direção aos estádios em dias de jogos. Hoje o jogo foi em Belo Horizonte. Notícias de ontem davam como certa a presença de um milhão de pessoas nas ruas. O prefeito Márcio Lacerda decretou feriado, a força nacional, o exército e a polícia militar ficaram a postos para os confrontos inevitáveis, desde o início do torneio.


Foi um quebra-quebra geral! Há pelo menos dois jovens em estado grave após terem caído do viaduto que fica perto do Mineirão. Lojas depredadas, saqueadas, incendiadas. A polícia tenta coibir os vândalos, mas eles incitam e provocam. Os criminosos querem desestabilizar os policiais. A mídia colabora. Marcelo Rezende, da rede Record, disse no Cidade Alerta de hoje que o governo de Minas deu ordens para deixar rolar solto o vandalismo. Disse que a tropa de choque não atua contra os bandidos, somente contra os manifestantes pacíficos. Um boçal esse Marcelo Rezende! Não saberia ele que, se caso a polícia ferir um manifestante, estará instaurado o caos neste país? É tudo que alguns querem - desestabilizar o governo, desmoralizar os militares e convencer o mundo de que não estamos prontos para sediar uma Copa de Futebol. Pena que esse gigante não acordou antes! Vamos ver se depois que acabar a Copa das Confederações, os protestos também irão acabar. Resta-nos aguardar e torcer para que mudanças de fato aconteçam, mas não às custas de vidas inocentes, vandalismo e ignorância política.


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