quarta-feira, 11 de maio de 2011

Encantada com Cordel


Está no ar uma das teledramaturgias mais encantadoras dos últimos tempos. Enfim, alguém ousou mostrar o mesmo enredo de sempre, de uma maneira diferente. Cordel Encantado, a novela das 18 horas, não traz em si grandes novidades na sua trama: tem a mocinha, o herói e o vilão, um tripé essencial para a construção de qualquer história. O que encanta em Cordel é a forma como essa mistura desgastada de bondade e maldade vem sendo apresentada.

A escolha do elenco não poderia ter sido melhor, uma sucessão de grandes atores desfila sob os olhares atentos de milhões de espectadores diariamente, e eles, não fazem feio. Marcos Caruso, Zezé Polessa, Osmar Prado, Debora Bloch, Luis Fernando Guimarães, Cauã Reymond, Claudia Ohana, Carmo Dalla Vecchia, Bruno Gagliasso, Bianca Bin e o desconhecido Domingos Montagner, o Capitão Herculano, dentre outros incriveis nomes da teledramaturgia brasileira, nos presenteiam como suas atuações impecáveis.

Essencialmente, fazem parte deste enorme sucesso, que vem cativando o público capítulo após capítulo, o esmero da produção em seus figurinos, belos cenários e paisagens deslumbrantes do sertão nordestino. O texto de ótima qualidade escrito pela dupla Telma Guedes e Duca Rachid nos reporta às histórias que ouvíamos na mais terna infância. A princesa invejada, rei e rainha distantes de sua filha, o príncipe encantado e o serviçal apaixonado, não menos encantador, a vilania correndo solta e o heroísmo a combater o mal para o triunfo do bem são alguns dos estereótipos advindos dos mais antigos contos de fada, mesmo antes dos Irmãos Grimm imortalizarem Branca de Neve, Cinderela e a Bela Adormecida.

Aliás, a novela misturou várias histórias dos contos maravilhosos em um só caldeirão. Um caldeirão que vem nos enfeitiçando com suas poções de magia, entusiasmo e brilhantismo. A princesa Aurora o príncipe Felipe fazem alusão aos mesmos personagens homônimos de "A Bela Adormecida". O homem da máscara de ferro também está presente na trama, outro grande conto fantástico de tempos remotos. Rapunzel terá sua versão quando a mocinha Antônia for presa no quarto de sua casa a mando do malvado irmão Timóteo. A clausura da menina linda na "torre" mais alta do reino de Brogodó. E o que dizer da grande vilã? Seria Úrsula a síntese de todas as má-drastas dos Grimm? Acho que Úrsula vai além destas mulheres invejosas substitutas das mães que aparecem nos contos de fadas. Ela não tem apenas inveja da princesa por medo de sua beleza, ela quer ser favorecida com a morte da sobrinha para sua ascensão social. É meio pós-moderno...


O amor da donzela Aurora/Açucena com o filho do cangaceiro, Jesuíno, ainda vai nos render ótimos momentos da luta do bem contra o mal, do amor que a tudo vence e que é indiferente às condições sociais dos seus personagens. Como serão as cenas dos próximos capítulos eu ainda não sei, mas com certeza, a encantadora Cordel nos presenteará com um "Felizes para sempre..."